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Ian Blair nega renúncia apesar de novas críticas sobre caso Jean Charles

Arquivo Geral

06/09/2007 0h00

Ian Blair, information pills comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Met), se recusou hoje a renunciar, mesmo após as fortes críticas da diretoria da corporação por sua condução no caso que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes.

A chamada Autoridade da Polícia Metropolitana (MPA) reuniu-se hoje para estudar o relatório sobre o caso divulgado em agosto pela Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC), que fiscaliza o trabalho das forças de segurança no Reino Unido.

Segundo o documento, a Scotland Yard, como é conhecida a Met, cometeu “graves erros” no caso de Jean Charles, que foi executado em 2005 por agentes que acharam que o brasileiro fosse um terrorista suicida.

Além disso, o subcomissário encarregado das operações especiais da Scotland Yard, Andy Hayman, “mentiu” para a opinião pública ao não informar a tempo aos seus superiores, entre eles Ian Blair, que haviam matado um inocente, segundo a IPCC.

Com estes dados em mãos, a MPA se reuniu na presença de Blair e criticou o chefe por “não reconhecer onde estava a verdade” na operação policial.

Jean Charles, que tinha 27 anos e trabalhava como eletricista, foi baleado oito vezes (sete na cabeça e uma no ombro) por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell (zona sul de Londres).

Um dos membros da Autoridade, Richard Barnes, disse estar contrariado pelo fato de o comissário-chefe não ter demonstrado uma “mente viva” nas horas decisivas do episódio.

“Há tantas perguntas importantes (pendentes de resposta) sobre o assunto que eu realmente tenho grandes inquietações sobre a chefia da Polícia Metropolitana”, disse Barnes.

Outro integrante da MPA, Peter Herbert, afirmou que o trágico engano e a forma como a crise foi conduzida “abalam a confiança no comissário”.

Diante destas críticas, Blair negou novamente que renunciará ao cargo, mas admitiu que a corporação policial “errou terrivelmente”.

O chefe da Scotland Yard ressaltou que ocorreram “mudanças fundamentais” no corpo de segurança para evitar erros semelhantes no futuro.

O presidente da MPA, Len Duvall, disse ter confiança de que “lições serão aprendidas do trágico episódio”, mas insistiu que “os londrinos devem poder confiar no que o serviço policial diz”.

Ao fim da reunião, a porta-voz do grupo “Justiça para Jean”, Estelle du Boulay, disse que, após as “categóricas críticas da MPA”, há “informação suficiente para empreender ações judiciais contra Ian Blair e Andy Hayman”.

Em 22 de julho de 2005, os policiais confundiram Jean Charles com um terrorista, no dia seguinte aos atentados frustrados contra três estações de metrô e um ônibus urbano de Londres.

Os ataques seriam uma imitação dos cometidos duas semanas antes, em 7 de julho, que mataram 56 pessoas – incluindo os quatro terroristas suicidas – e deixaram 700 feridos.

Em 2006, a Procuradoria do Estado decidiu não apresentar acusações contra os agentes envolvidos na execução, alegando que não havia “provas suficientes”, e acusou apenas a Polícia Metropolitana no conjunto de violar a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho.

O julgamento pela transgressão dessa lei está previsto para começar no dia 2 de outubro.

Uma vez concluído o processo, a MPA abrirá sua própria investigação para revisar os problemas de comunicação da Scotland Yard que criaram tanta confusão nas horas posteriores à morte do eletricista brasileiro.

A MPA tomou essa decisão porque, dois anos depois do trágico acontecimento, “ainda não há clareza” sobre o manejo policial da informação após o tiroteio, disse Duvall em comunicado divulgado depois da reunião do órgão.

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