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Guterres propõe ONU como ‘facilitadora’ do transporte de fertilizantes em Ormuz

Iniciativa prevê registro e verificação de navios e busca reduzir riscos à navegação sem autorizar ou modificar as regras de passagem pelo estreito

Redação Jornal de Brasília

24/08/2026 14h34

Foto: Maxim Shemetov / AFP

Foto: Maxim Shemetov / AFP

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, propôs nesta segunda-feira (24) que a ONU desempenhe um papel facilitador no transporte marítimo de fertilizantes, que tem sido prejudicado pela paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz.

O Irã controla essa via navegável estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos desde o início do conflito em 28 de fevereiro, com os bombardeios israelenses e americanos contra seu território.

Os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval aos portos iranianos, imposto em abril.

“O objetivo é simples: reduzir os riscos imediatos, apoiar um trânsito mais ordenado e previsível e ajudar a reconstruir a confiança necessária para a diplomacia e a desescalada”, declarou o chefe da ONU durante uma coletiva de imprensa na sede da organização.

Tendo iniciado as negociações sobre o assunto em março, Guterres propõe “um mecanismo de registro e verificação para navios que transportam, pelo menos inicialmente, fertilizantes e produtos relacionados”.

Essa iniciativa seria complementada por um mecanismo de prevenção de incidentes coordenado por Omã.

“O mecanismo não autorizaria a passagem pelo Estreito de Ormuz e não modificaria os direitos ou obrigações dos Estados-membros perante o direito internacional”, assegurou Guterres.

“Estamos totalmente preparados para implementá-lo. Claro que isso só será possível se todos os países envolvidos neste conflito aceitarem o mecanismo”, acrescentou, enfatizando o papel da ONU como “facilitadora neutra”.

Antes da guerra que começou em fevereiro, um quinto dos hidrocarbonetos do mundo passava pelo Estreito de Ormuz.

Teerã indicou que pretende impor taxas de navegação aos navios que transitam pelo estreito.

Os Estados Unidos, por sua vez, insistem que têm “controle total” do estreito e afirmaram que, após a guerra, o tornarão um “território americano”.

AFP

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