A Grécia enfrenta nesta quarta-feira uma nova greve geral de 24 horas que afeta o transporte urbano, as conexões marítimas e ferroviárias, os voos e os serviços de saúde e educação, em protesto pelas políticas de austeridade e os planos de privatização do Governo.
“Que a crise seja paga pelas classes mais abastadas e não pelo povo”, gritam os manifestantes com cartazes trazendo mensagens contra a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Cerca de 9 mil pessoas, segundo disseram à Agência Efe policiais, protestam de forma pacífica pelas ruas do centro da capital e cantam palavras de ordem como “Povo, não baixe a cabeça e não se deixe vencer”.
A greve geral, a segundo neste ano, foi convocada pela Confederação de Trabalhadores da Grécia e o Sindicato de Funcionários Civis em uma demonstração de contrariedade ao plano de austeridade com o qual o Governo quer arrecadar 76 bilhões de euros até 2015.
“Não permitiremos que roubem nosso trabalho, o pão de nossos lares e cortem empregos nas empresas”, declarou à Efe um funcionário da empresa ferroviária, um dos setores que deve ser afetado pelas demissões.
A greve obrigou o cancelamento de mais de cem voos e a modificar dezenas devido à greve de quatro horas dos controladores aéreos, a partir das 6h (de Brasília), confirmaram à Efe as autoridades do aeroporto de Atenas.
As lojas no centro da capital fecharam as portas durante a passagem da manifestação diante do temor que ocorram novos distúrbios, como nas manifestações de um ano atrás que causou a morte de 3 bancários em um ataque a bomba.
Os comércios de outros bairros de Atenas e do restante da cidade abriram nesta quarta-feira com normalidade. Além disso, apesar do chamado à greve da união de empregados bancários, os bancos privados funcionam, embora com menos funcionários do que o habitual.
Os navios de passageiros e cruzeiros não puderam zarpar em direção à ilha e à Itália, devido aos trabalhadores dos portos terem aderido à greve. Os operários da ferrovia também se somaram à paralisação.
A maior parte das linhas do transporte público funciona em Atenas para permitir a chegada de manifestantes ao centro.
Os colégios estão fechados pela participação no protesto dos docentes. Os hospitais públicos só estão atendendo casos de emergências e as cirurgias programadas.
Serviços municipais, incluídos os maternais infantis e os ministérios e organismos públicos, estão fechados.
Os jornalistas entraram em greve em protesto à onda de demissões, as reduções de salários e o fechamento de empresas de comunicação, por isso que a Grécia sofre nesta quarta-feira blecaute de informação generalizada.
A greve ocorre em ambiente de extrema tensão pelos crescentes comentários de que a Grécia terá de recorrer a um novo pacote de ajuda externa e, inclusive, reestruturar sua dívida diante da impossibilidade de assumir o pagamento de suas obrigações.