O presidente-executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo, afirmou nesta sexta-feira (3) que as revoltas da Primavera Árabe, os protestos do Occupy Wall Street e dos Indignados na Espanha são exemplos de uma mesma “frustração”.
Em seu discurso na Conferência de Segurança de Munique, que discute política externa e de defesa, Naidoo comparou a raiz destes movimentos sociais e advertiu que os níveis de frustração estão se tornando cada vez mais sérios no mundo todo.
“Estamos ignorando a energia e a alienação do povo”, ressaltou o diretor-executivo da organização ambientalista, ressaltando que a palavra comum de todas estas iniciativas populares é “Basta!”.
Em seguida, pediu o “redesenho” do sistema econômico, político e social internacional, e para não recuperar o atual, que é afetado por uma série de crises simultâneas de caráter demográfico, financeiro, alimentício, energético e climático.
“Devemos enfrentar a questão da catastrófica mudança climática”, acrescentou Naidoo.
Por outro lado, o ambientalista se mostrou otimista e ressaltou que se a comunidade internacional mostrar determinação pode construir um novo mundo, mais equilibrado, com menos diferenças entre ricos e pobres e onde as energias limpas substituam progressivamente as “sujas” energias fósseis.
“Poderíamos gerar milhões de novos empregos se investíssemos seriamente em energias limpas”, assegurou.
A conferência, uma iniciativa privada com 48 anos de trajetória, vai reunir dezenas de ministros, militares, empresários e analistas de mais de 70 países até domingo.
Os debates desta edição se centrarão no programa nuclear iraniano, a revolução síria, o conflito entre israelenses e palestinos, a segurança energética, a posição da Europa no cenário internacional no contexto da crise e o crescimento da Ásia impulsionada pela China.
O evento reuniu este ano, entre outros, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton; o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick; o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, e os ministros de Exteriores de França, Alain Juppé; Alemanha, Guido Westerwelle; Rússia, Sergei Lavrov, e Espanha, José Manuel García-Margallo.