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Gaza vive expectativa de combate

Por Arquivo Geral 28/06/2006 12h00

Israel lançou hoje sua primeira ofensiva terrestre na Faixa de Gaza desde que deixou o território, hospital visit this no ano passado, aumentando a pressão para que militantes palestinos libertem um soldado israelense sequestrado.

Tanques israelenses, com o apoio de helicópteros e artilharia pesada, estabeleceram um posto de observação estratégico no aeroporto de Rafah, enquanto no território palestino militantes armados e mascarados esperavam, atrás de barricadas, pelo início do combate.

Ameaçando tomar "medidas extremas" se o soldado Gilad Shalit não for libertado, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que a operação continuaria pelos "próximos dias".

Uma fonte do ministério da Defesa de Israel disse que Olmert havia dado a aprovação para que forças se posicionassem no norte de Gaza para ampliar a ofensiva.

Israel acompanha atentamente os desdobramentos que definirão o destino do recruta Shalit, de 19 anos. A última vez que militantes palestinos sequestraram um soldado israelense foi em 1994. O soldado acabou morrendo numa tentativa de resgate.

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Israel lançou a ofensiva três dias depois do sequestro de Shalit em uma ação realizada por homens armados palestinos. Aeronaves israelenses atacaram três pontes em estradas importantes de Gaza. Segundo o Exército, a medida foi uma tentativa de evitar que os militantes movimentem o refém.

Um ataque com helicóptero contra a principal usina elétrica de Gaza causou um grande incêndio e cortou a eletricidade na maior parte do território costeiro de 1,4 milhão de habitantes. Segundo engenheiros, os reparos levarão seis meses.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, descreveu o bombardeio da infra-estrutura civil como "um crime contra a humanidade".

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Olmert disse que Israel não tem intenção de "recapturar" a Faixa de Gaza, território que desocupou em 2005 após 38 anos. "Temos um objetivo central, que é trazer Gilad para casa", disse ele num discurso em Jerusalém.

Mushir al-Masri, parlamentar do Hamas, organização que governa os territórios palestinos, disse que Olmert está sendo "aventureiro" e colocando "o soldado desaparecido em perigo".

Sobrevoando Gaza a baixa altitude, aviões de guerra israelenses causavam explosões sônicas que assustaram os palestinos, além de lançar vários ataques com mísseis contra áreas abertas, segundo uma porta-voz militar.

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Para aumentar a tensão, um grupo militante, o Comitês da Resistência Popular, ameaçou matar um colono israelense que afirmou ter capturado na Cisjordânia se os ataques contra Gaza prosseguirem. Autoridades israelenses disseram que o colono está desaparecido desde domingo. Um porta-voz do grupo mostrou uma fotocópia de um documento do colono numa entrevista coletiva.

A situação está preocupando as potências internacionais que tentavam ressuscitar as negociações de paz entre israelenses e palestinos. Os Estados Unidos disseram que Israel tem o direito de defender seus cidadãos, mas que precisa se assegurar de que inocentes palestinos não sejam atingidos.

A comissária de Relações Exteriores da União Européia, Benita Ferrero-Waldner, pediu a libertação do soldado israelense, mas também pediu a Israel que "aja com prudência", permitindo que os esforços diplomáticos obtenham a libertação.

O governo palestino fez um apelo aos países árabes para que tentem negociar uma troca do soldado por prisioneiros palestinos detidos em Israel. Israel já rejeitou a idéia.
O premiê palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas, acusou Israel de piorar a crise do refém ao enviar soldados para a Faixa de Gaza. "Reforçamos que a ocupação deve parar a escalada militar a fim de não complicar ainda mais a situação e piorar a crise", disse Haniyeh.

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A crise representa o maior teste até agora para Olmert, político de carreira com pouca experiência na área de segurança. Ele foi eleito em março com uma plataforma que propunha executar uma retirada semelhante à de Gaza em determinadas regiões da Cisjordânia.

O ataque palestino de domingo, que deu origem à crise, matou dois soldados israelenses. Dois militantes também morreram. A operação, na qual os palestinos invadiram o território israelense através de um túnel, teria sido uma retaliação à morte de 14 civis palestinos em ataques aéreos israelenses contra Gaza, ofensiva que, por sua vez, respondia a ataques com foguetes executados por palestinos.

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