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Fórum Econômico Mundial retoma encontro em Davos sob sombra de guerra e inflação

O Fórum Econômico Mundial inicia seu encontro anual em Davos com a missão de reconectar autoridades, executivos e lideranças

Por FolhaPress 22/05/2022 4h19
Foto: AFP

Luciana Coelho
Davos, Suíça

O Fórum Econômico Mundial inicia seu encontro anual nesta segunda-feira (23) em Davos com a missão de reconectar autoridades, executivos e lideranças do terceiro setor pelo mundo sob a sombra da Guerra da Ucrânia, de uma crise inflacionária global e dos temores de desaceleração chinesa após um hiato de dois anos e quatro meses provocado pela pandemia.

Pelas ruas do balneário alpino suíço, desta vez sem o charme da neve que costuma recobri-lo em janeiro, mês tradicional dos encontros, passarão menos chefes de Estado e governo do que de costume: 32, do alemão (e estreante) Olaf Schölz ao ruandês Paul Kagame, e apenas dois latino-americanos desta vez, o colombiano Iván Duque, prestes a deixar o cargo, e o costa-riquenho Rodrigo Chaves, que acaba de tomar posse.

O Brasil será representado pelos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Saúde, Marcelo Queiroga, este último sem compromissos públicos relacionados ao Fórum.

Também vieram a Davos o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, e a coordenadora de investimento da Apex, Helena Bonna Brandão; presidentes e economistas chefes dos principais bancos do país e da Vale, e, dentro do esforço da organização para expandir suas discussões para além dos donos do dinheiro e responsáveis por governos, empreendedores sociais.

Incluindo ministros, demais executivos, acadêmicos, jornalistas, pesquisadores e líderes do terceiro setor, o encontro protelado deve atrair cerca de 2.000 pessoas à cidade de pouco mais de 12 mil habitantes revelada ao imaginário mundial em “A Montanha Mágica”, a obra-prima do escritor Thomas Mann.

Líderes de entidades globais, como a búlgara Kristalina Georgieva, do FMI (Fundo Monetário Internacional), a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, da OMC (Organização Mundial do Comércio), e a francesa Christine Lagarde, do Banco Central Europeu, também tomarão parte das apresentações e painéis que buscam apontar caminhos para o cenário global enevoado pela guerra.

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A trinca reflete também a crescente participação feminina no evento criado pelo economista Klaus Schwab em 1971, em uma tentativa do Fórum, nos últimos anos, de tornar seus participantes menos masculinos, brancos e europeus e buscar refletir melhor as mudanças políticas e sociais globais.

Mas é uma ausência, mais do que qualquer nome, que chama a atenção nos debates deste ano. Após décadas de forte presença russa, representantes do governo em Moscou foram desligados da entidade, que assumiu sem poréns o lado ucraniano na guerra. Punições à parte, será estranho debater soluções e caminhos para o conflito com apenas um dos lados envolvidos presente.

Volodimir Zelenski, aliás, será o primeiro chefe de Estado a fazer um pronunciamento no evento deste ano, status máximo. Embora o Fórum indique a participação presencial de Zelenski, ele deve discursar por telão aos participantes na manhã desta segunda (6h15 no horário do Brasil, com transmissão ao vivo no site do evento).

Parlamentares e políticos regionais ucranianos também participarão dos painéis com status de protagonistas em um ano em que nomes pop ficaram de fora.

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Além da guerra –discutida sem Putin– e da difícil equação econômica global –debatida sem o chinês Xi Jinping e o americano Joe Biden–, estarão no centro das mais de 400 sessões espalhadas por quatro dias a crise climática e o processo de cicatrização global da pandemia de coronavírus, ainda um risco à espreita sobretudo pela possibilidade de novos lockdown na China.

Com pouco a mostrar nessas duas frentes, o Brasil deve aparecer como vidraça no primeiro caso e ser uma não voz no segundo.

Debates e apresentações sobre a Amazônia, por exemplo, até a última hora aconteceriam sem a participação de autoridades brasileiras –Montezano foi incluído a poucos dias do evento–, e outras discussões sobre ambiente passarão ao largo do governo brasileiro, como a encabeçada pelo representante americano para o clima, John Kerry, na terça (24), e o debate sobre o cada vez mais estratégico mercado de crédito de carbono, nesta segunda (23).

É algo que seria impensável no passado recente, quando o Brasil, hoje pária, era visto como um líder para as ações na área.

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