O capítulo latino-americano do Fórum Mundial da Agricultura (WAF na sigla em inglês) discute desde segunda-feira em Brasília o rumo da agricultura regional até 2050.
“A missão do WAF latino-americano é analisar o papel que a América Latina deve cumprir para seguir sendo referência nos próximos 40 anos como fornecedor mundial de alimentos, fibras e biocombustíveis”, disse à Agência Efe o ex-secretário de Agricultura da Argentina Miguel Campos.
Moderador do debate “Tecnologia e políticas de recursos naturais”, previsto para o primeiro dia do fórum, Campos apontou que o encontro deve “abordar todos os aspectos que afetam a economia latino-americana”.
“Vamos ter ministros que tiveram um papel fundamental neste campo na América Latina e recolher a experiência passada e a visão do futuro de alguns ex-presidentes latino-americanos”, ressaltou Campos, que participou hoje em São Paulo da apresentação do fórum regional.
Para a reunião de Brasília, presidida pelo titular do WAF e ex- primeiro-ministro neozelandês James Bolger, estão convidados os ex- presidentes Vicente Fox (México), Ricardo Lagos (Chile), Tabaré Vázquez e Julio María Sanguinetti (Uruguai), Alejandro Toledo (Peru), Eduardo Duhalde (Argentina) e Andrés Pastrana (Colômbia).
O diretor para a América Latina da multinacional americana Novus e um dos promotores do encontro, Luiz Azevedo, disse durante a apresentação do fórum regional que a reunião de Brasília debaterá “o papel, os desafios e as oportunidades da América Latina na agricultura até 2050”.
A tecnologia, a infraestrutura, o impacto no clima e o manejo dos recursos naturais, especialmente da água, serão debatidos por representantes dos Governos, do setor privado e da sociedade civil.
O ex-ministro da Fazenda e ex-secretário da Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) Rubens Ricúpero comentou que o desafio também passa pelo crescimento da população mundial nos próximos 40 anos.
“Vamos passar dos 6,7 bilhões de habitantes para nove bilhões em 2050, um pouco mais, um pouco menos, mas, ao contrário do que muita gente acredita, a América Latina não vai crescer tanto; sua população pode se estagnar ou até diminuir (proporcionalmente)”, detalhou.
O fórum termina hoje.