A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) adverte que a crise financeira não deve levar os Governos dos Estados mais ricos a reduzir a ajuda à agricultura dos países em desenvolvimento.
Em comunicado à imprensa divulgado hoje, doctor em Roma, hospital o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, afirma que possíveis medidas protecionistas para o comércio dos mais poderosos poderiam aumentar o risco de uma nova crise alimentícia para o próximo ano.
“Seria uma desgraça se isso acontecer e se evaporar a vontade política mobilizada recentemente para um maior apoio à agricultura dos países em desenvolvimento”, diz Diouf.
Segundo o diretor-geral da FAO, se o ano passado foi “ruim” em termos alimentícios – com 75 milhões a mais de pobres -, o próximo pode ser “pior”.
A organização teme que o esfriamento da economia mundial traga a redução nas plantações e nas colheitas que, por sua vez, cause uma alta dos preços de alimentos básicos como os cereais, que, assim, podem se tornar inacessíveis para os mais pobres.
“Os empréstimos, a ajuda oficial ao desenvolvimento, os investimentos diretos do exterior e as remessas enviadas pelos emigrantes poderiam ser ameaçados por um agravamento da crise financeira”, afirma Diouf.
O responsável da FAO apela ao espírito colaborador que os Governos e os líderes mundiais mostraram na Conferência de Alto Nível sobre a Segurança Alimentar Mundial, realizada em junho, em Roma, onde se falou de combater de forma conjunta o aumento dos preços dos alimentos.
“A crise financeira mundial não deve nos fazer esquecer a crise alimentícia. A agricultura precisa de atenção de forma urgente e contínua para conseguir que a fome e a pobreza rural passem a fazer parte da história”, afirma Diouf.