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Mundo

Ex-deputado solto pelas Farc pede troca urgente de prisioneiros

Arquivo Geral

05/02/2009 0h00

O ex-deputado colombiano Sigifredo López, malady libertado hoje pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), diagnosis pediu a “pronta troca de prisioneiros” como primeiro passo para o alcance da paz na Colômbia, e disse que o presidente do país, Álvaro Uribe, “se equivocou em algumas coisas”.

“É preciso uma decisão sobre a libertação unilateral de todos os civis e a troca de prisioneiros por combatentes”, disse López em Cali, pouco após pousar com o helicóptero brasileiro que o resgatou nas selvas de Cauca.

López, que havia sido sequestrado em 2002 junto com outros 11 deputados regionais, convidou todos os colombianos a derrotarem “o sequestro como arma política” e considerou a troca humanitária “indispensável”.

Esta é a única “maneira de trazer com vida os 22 militares (e policiais) que neste momento estão amarrados a uma árvore há 10 anos”, disse o ex-refém em alusão aos sequestrados que as Farc querem trocar por guerrilheiros presos.

“As Farc, os guerrilheiros, estão terminantemente obrigados a assassinar os indefesos assim que percebem o primeiro helicóptero ou a primeira bala, como ocorreu com meus companheiros”, disse sobre os 11 deputados de Cauca assassinados em 2007 quando os guerrilheiros se deram conta de que um resgate militar estava em andamento.

“Eu trago uma proposta clara: a liberdade unilateral de todos os sequestrados já, e que se acabe o sequestro como arma política neste conflito armado que, possivelmente, é o mais degradado do planeta, com a ressalva do Israel” e dos palestinos.

López agradeceu muito à senadora opositora Piedad Córdoba, que intermediou sua libertação e a quem foi entregue nesta quinta.

O ex-deputado também defendeu sua atuação política e disse não compreender como algumas pessoas tentam desprezá-la por defender as causas mais difíceis, como são os direitos dos homossexuais e das minorias étnicas, além do retorno dos sequestrados à liberdade.

“A senadora Piedad Córdoba me parece essa mulher corajosa dos romances de (José) Saramago”, declarou antes de fazer um apelo à reflexão tanto à oposição como ao Governo.

López disse que Córdoba pertence a um grupo de mulheres “que constroem espaços de democracia”. Nesse sentido, destacou que, “quando os espaços se fecham, as coisas explodem”.

“Aqui, a oposição acusa Uribe de ser um paramilitar, e o presidente acusa a oposição de ser amiga do terrorismo. Isso é ouvido por pessoas comuns, e ficou provado que, quando escuta que a violência é legitimada pelo poder, o povo repete essas ações”, acrescentou.

“Quero convidá-los a acender a vela da liberdade, da tolerância, da democracia. Quero convidá-los ao grande consenso nacional, mas é preciso começar pela primeira coisa, pelo básico, pelo respeito à opinião alheia. Em vez de insultar, vamos propor, e se fizermos crítica, vamos fazê-la de forma respeitosa”, insistiu.

López também disse não guardar rancores, apesar de seus colegas deputados “jamais terem merecido ser assassinados pelas Farc em 18 de julho de 2007”.

“Meu sofrimento não vale nada comparado ao dano que significa o massacre dos deputados de Vale. Mas, apesar disso, os verdadeiros democratas não podem se descuidar da essência da democracia”, declarou.

Após ter feitos estas declarações improvisadas à imprensa, o ex-deputado concederá uma entrevista coletiva na qual dará detalhes de seu cativeiro e de sua convivência com os deputados que foram mortos.

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