O governo americano anunciou, nesta quarta-feira (1º), sanções contra dois cidadãos brasileiros e empresas supostamente vinculados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), recentemente designada como organização terrorista.
Victor de Oliveira Shimada, baseado em São Paulo, e sua secretária, Stella Nunes Henrique de Oliveira, são acusados de lavar dezenas de milhões de dólares que o PCC gerou em várias cidades dos Estados Unidos.
Esse dinheiro voltou ao Brasil mediante redes de criptomoedas, segundo o comunicado do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do governo americano.
“Shimada, radicado em São Paulo, foi um vínculo-chave entre as operações do PCC com base na Flórida e os traficantes de drogas estrangeiros”, assegurou o comunicado.
O Departamento do Tesouro explicou que Shimada esteve em prisão domiciliar brevemente no começo do ano porque uma de suas empresas, a Victory Trading, foi acusada de lavagem de dinheiro procedente de um clube de futebol.
Sua secretária, Stella Nunes Henrique de Oliveira, “atuou como intermediária para a coleta de grandes quantidades de dinheiro, proporcionando serviços logísticos essenciais” à suposta rede criminosa, segundo o comunicado.
A OFAC, que pertence ao Departamento do Tesouro, designa as empresas Victory Trading, Pixwave e Wave, em São Paulo, como integrantes da rede, assim como a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes, que supostamente pertence a Shimada.
“Como resultado da medida adotada hoje, todos os bens e os ganhos em bens das pessoas designadas ou bloqueadas descritas anteriormente que se encontrem nos Estados Unidos, ou em posse ou sob o controle de pessoas americanas, ficam bloqueados e devem ser reportados à OFAC”, destacou o comunicado.
Os sancionados tampouco podem ter acesso a serviços vinculados ao sistema financeiro americano.
Em 28 de maio, Washington designou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, apesar da oposição do governo brasileiro.
AFP