FOLHAPRESS
Estados Unidos e Irã realizam negociações técnicas em Doha, capital do Qatar, nesta quarta-feira (1°), na tentativa de chegar a um acordo sobre o tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz e garantir um cessar-fogo duradouro, segundo uma fonte com conhecimento direto do caso e uma autoridade iraniana.
Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump, e o enviado Steve Witkoff se reuniram com o primeiro-ministro do Qatar mediador ao lado do Paquistão para preparar o terreno para as conversas, mas não participariam das discussões propriamente ditas, disse a fonte.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, anunciou na tarde desta quarta que a reunião de negociação foi encerrada. Os participantes concordaram que “um canal de comunicação será estabelecido até amanhã” para relatar e registrar violações do memorando, informou a agência de notícias estatal Irna, citando Gharibabadi.
As negociações se baseiam em um acordo provisório de 14 pontos assinado no mês passado, que tinha como objetivo interromper a guerra iniciada com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro e reabrir Hormuz, ao mesmo tempo em que estabelecia um prazo de 60 dias com vistas a um acordo de paz permanente.
No entanto, EUA e Irã têm discutido publicamente sobre o significado do pacto provisório, o que levou a ataques recíprocos na última semana.
O Irã está determinado a obter reconhecimento internacional de seu controle sobre o estreito e de sua capacidade de cobrar taxas dos navios que entram ou saem do Golfo, mesmo que tenha que fazê-lo à força, afirmaram duas fontes iranianas de alto escalão nesta quarta.
O tráfego foi parcialmente retomado pelo estreito, que antes da guerra era responsável por um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.
As negociações em Doha foram estruturadas em sessões entre os principais negociadores e especialistas, disse a fonte com conhecimento das negociações. Elas começaram na noite de terça-feira (30) e continuaram nesta quarta, afirmou a autoridade iraniana.
O Irã declarou publicamente que suas prioridades incluem chegar a um acordo sobre a gestão do estreito e a liberação de US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões) em ativos iranianos congelados, e a autoridade iraniana afirmou que a atual rodada de discussões se concentraria nessas duas questões.
A prioridade declarada dos EUA é garantir o livre fluxo de tráfego pelo estreito, disse a fonte.
O vice-presidente americano, J. D. Vance, disse não poder garantir que Washington não retornará às operações de combate, mas que por enquanto o presidente Donald Trump orientou as autoridades a fazerem um acordo. “O que posso comprometer é: o presidente não enviará nossos militares de volta a menos que seja necessário, a menos que haja um propósito claramente definido para isso”.
Em Doha, as negociações técnicas concentraram-se na navegação comercial no estreito e mais tarde se voltariam para as capacidades nucleares de Teerã, segundo Vance. “Ainda é muito cedo, mas as negociações estão indo bem”, disse.
Trump, que afirmou que a remoção do urânio altamente enriquecido do Irão é uma prioridade máxima, disse aos jornalistas nesta quarta que “a desnuclearização do Irão está avançando bem”, sem dar detalhes. Questionado sobre a possibilidade de voltar à guerra, o americano acrescentou: “Bem, penso que eles percorreram um longo caminho. Atingimos o país deles com muita força na semana passada. Acho que estão bem”.
Enquanto delegações iranianas e americanas estão no Qatar para discutir, através de mediadores, o fim da guerra no Oriente Médio em todas as frentes, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse nesta quarta-feira que o Exército de seu país permanecerá “indefinidamente” naquilo que ele qualifica como “zonas de segurança” estabelecidas no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza.
“As Forças de Defesa de Israel permanecerão nas zonas de segurança (…) a fim de proteger nossos habitantes e nossas comunidades dos elementos jihadistas”, afirmou em um discurso durante uma cerimônia militar.
Katz também reiterou sua ameaça de que atingirão “com toda a força” o Irã caso Israel seja atacado devido às operações no Líbano.
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Estreito de Hormuz. Foto: iStock