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EUA atacam ilha iraniana após Trump elogiar avanços diplomáticos

Os bombardeios, noticiados primeiro pelo Wall Street Journal, atingiram a ilha de Qeshm, que, segundo a imprensa estatal iraniana, foi alvo de cinco explosões em rápida sucessão

Redação Jornal de Brasília

03/11/2026 6h54

donald trump participates in a rally in tennessee

Foto: MANDEL NGAN / AFP

Washington lançou ataques limitados contra uma ilha iraniana no Estreito de Ormuz nesta terça-feira (3), segundo a imprensa dos Estados Unidos, horas após o presidente Donald Trump elogiar os avanços diplomáticos com Teerã e a poucas horas das eleições de meio de mandato.

Funcionários do governo americano que falaram sob a condição de anonimato, citados pelo The Wall Street Journal e por outros veículos, descreveram os ataques como de natureza defensiva. O WSJ destacou que era a mais recente de várias ofensivas não declaradas.

O jornal afirmou que as ações não foram anunciadas publicamente para evitar dar a impressão de que Washington pretendia retomar operações de combate em larga escala.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio, não respondeu até o momento a um pedido de comentários da AFP.

Os Estados Unidos, com ajuda de Israel, iniciaram a guerra com uma grande onda de ataques surpresa contra o Irã no fim de fevereiro, mas não alcançaram seus objetivos militares e o conflito permanece estagnado há vários meses.

Na segunda-feira, um dia antes das eleições de meio de mandato nas quais, segundo as pesquisas, os eleitores devem provocar uma grande derrota do Partido Republicano, em parte devido ao descontentamento com a guerra e com a inflação que ela provocou, Trump disse que um acordo com Teerã “pode acontecer”.

“O Irã quer um acordo o mais rápido possível”, afirmou o presidente em sua plataforma Truth Social.

Por sua vez, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, citou consultas indiretas sobre o conflito.

“Levando em consideração a sensibilidade e a gravidade da situação atual, as consultas e deliberações são muito intensas”, declarou o chefe da diplomacia do Irã à imprensa estatal.

Nesta terça-feira, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador nas conversações com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que, embora o Irã esteja preparado para a guerra, deu a Washington uma “resposta racional”.

“A bola agora está no campo dos Estados Unidos para evitar a guerra”, declarou.

Em meio à disputa retórica, os preços do petróleo caíram mais de 7% na segunda-feira devido às notícias de um possível fim do conflito, que já dura oito meses.

Estreito de Ormuz


O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que ele e o presidente Trump estão otimistas quanto à possibilidade de alcançar um acordo.

“Sem dúvida, conseguimos alguns avanços. Vamos ver se podemos avançar ainda mais”, declarou à imprensa.

Segundo o portal americano Axios, que cita fontes dos governos americano e israelense, Trump quer, no momento, deixar que as negociações sigam seu curso, apesar de ter conversado por telefone com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, partidário de uma ofensiva.

O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã estava disposto a reabrir o Estreito de Ormuz, via de exportação crucial dos hidrocarbonetos do Golfo, no prazo de dois dias, desde que Washington aceitasse sua lista de exigências.

Em setembro, Teerã propôs um plano de sete dias para reabrir a rota, com exigências que incluíam o fim da guerra em todas as frentes de batalha, o descongelamento dos ativos iranianos, o fim das sanções petrolíferas e o fim do contrabloqueio americano aos portos iranianos.

Trump não aceitou as demandas de Teerã.

“A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã”, afirmou Esmaeil Baqaei.

Sinais diplomáticos


A China organizou reuniões com autoridades iranianas e sauditas em Pequim na segunda-feira.

O país asiático apoia Teerã na “defesa de sua própria soberania e segurança”, disse o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, a Ali Baqeri, subsecretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, segundo um comunicado chinês.

Em uma entrevista ao canal Al Jazeera no domingo, Araghchi disse que Washington deve aceitar “uma nova rota acordada entre Irã e Omã para o trânsito pelo Estreito de Ormuz”.

Embora desde setembro se observe uma distensão militar, os Estados Unidos e Israel intensificaram as ameaças nos últimos dias, em um contexto marcado por eleições cruciais nos dois países.

Trump declarou no sábado que ainda precisa “se ocupar de uma ou duas” instalações nucleares no Irã.

A República Islâmica, que nega querer desenvolver armas atômicas, advertiu diversas vezes sobre represálias de grande alcance caso os Estados Unidos retomem a guerra.

As autoridades iranianas instalaram um enorme cartaz no coração de Teerã, com a foto do presidente americano e a frase: “Nós vamos matar Trump”.

AFP

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