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Estado mais atingido pelos terremotos, La Guaira parece zona de guerra na Venezuela

Sismos de magnitude 7,2 e 7,5 provocaram a morte de ao menos 164 pessoas, segundo as autoridades venezuelanas

Redação Jornal de Brasília

25/06/2026 13h12

la guaira terremoto

Foto: AFP via Getty Images

FOLHAPRESS

Em cidades no norte da Venezuela, o cenário remete ao de uma zona de guerra. Edifícios colapsados, ruas cobertas por escombros e moradores em busca de sobreviventes entre os destroços evocam as imagens vistas na Faixa de Gaza e na Ucrânia. O quadro de destruição generalizada, porém, é observado em La Guaira, o estado do país sul-americano mais impactado pelos terremotos de quarta-feira (24).

Em La Guaira, quarteirões inteiros foram devastados, e as autoridades declararam a região uma “zona de desastre”. Alguns prédios continuam de pé, com rachaduras e estruturas expostas. Outros, no entanto, foram completamente destruídos. Em parte do estado, não havia energia elétrica na manhã desta quinta (25), e milhares de moradores passaram a noite nas ruas, com lanternas, temendo mais réplicas.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 provocaram a morte de ao menos 164 pessoas, segundo as autoridades venezuelanas. Mas os balanços iniciais, que contabilizam ainda quase mil feridos, não incluem os dados de La Guaira, onde a extensão total do desastre é tão grande que ainda estava sendo avaliada, de acordo com a rede britânica BBC. No estado, mais de cem edifícios desabaram, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em inglês).

Socorristas relataram à imprensa local que a ajuda federal ainda não chegou. “O que está faltando é ajuda, principalmente equipamentos técnicos. As equipes de Caracas sabem quais ferramentas usar e poderiam vir apoiar aqui em La Guaira”, afirmou à agência AFP José Pacheco, 52, chefe de operações do Grupo Rescate Unido de Venezuela. Com três décadas de experiência, ele diz que nunca viu algo parecido.

Jornalistas da AFP testemunharam familiares retirando os corpos de um homem e de uma mulher e os colocando na caçamba de uma caminhonete. Também registraram uma farmácia destruída, com portas de vidro quebradas e prateleiras vazias. Há relatos de falta de água e medicamentos, mas não há informações confirmadas sobre possíveis saques.

La Guaira é o principal ponto de entrada do país, já que abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, na cidade de Maiquetía, que atende a Caracas e recebe o maior número de voos internacionais na Venezuela —as operações foram suspensas nesta quinta. O próprio aeroporto, aliás, foi atingido: vídeos registram pessoas correndo, áreas internas cobertas de poeira e destroços e tetos danificados. O terminal foi fechado devido a “danos graves à sua infraestrutura”, segundo a líder interina do regime, Delcy Rodríguez.

Em Macuto, próximo de Maiquetía, imagens mostram um grande hotel à beira-mar todo destruído. Em Playa Grande, quarteirões inteiros foram reduzidos a escombros.

“Foi terrível. Tudo, tudo desabou”, disse à AFP Yilsmaris Blanco, 39, em Catia la Mar, também em La Guaira. “Damos graças a Deus porque estamos vivos, mas há pessoas que estão agora sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares presos sob os escombros, que não conseguem tirar.”

A população de La Guaira é de cerca de 350 mil. Nessa região, conhecida até 2019 como Vargas, ocorreu em 1999 um dos maiores desastres naturais da história da Venezuela, quando chuvas torrenciais provocaram inundações e deslizamentos de terra que causaram a morte de 10 mil a 30 mil pessoas.

À época, não foi possível estabelecer um número preciso de vítimas devido à dimensão da tragédia, segundo autoridades. O processo de reconstrução foi considerado lento, e o governo do então presidente Hugo Chávez teve de aceitar ajuda internacional.

A região foi reconstruída, mas especialistas ainda apontam áreas de risco. Em La Guaira, parte da ocupação urbana ocorreu de forma vertical e adensada, e conjuntos residenciais foram erguidos em áreas de encosta, o que aumenta a vulnerabilidade em casos de terremoto.

A região, junto com Puerto Cabello, a cerca de 200 quilômetros de distância, também concentra a principal atividade portuária do país, dependente de importações. O estado das instalações alfandegárias após os terremotos não havia sido divulgado.

O estado depende também do turismo e, ao longo do tempo, tem explorado sua localização no Caribe para atrair visitantes, sobretudo para edifícios à beira-mar, segundo o jornal venezuelano El Nacional. Vários desses imóveis, no entanto, foram reduzidos a escombros.

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