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Empresas devem seguir práticas sustentáveis se quiserem continuar relevantes e competitivas

Sociedade e os investidores, com conhecimento e informação disponíveis, estão atentos às iniciativas reais de promoção dessas práticas

O termo ESG (sigla em inglês para Ambiente, Social e Governança) não está restrito às conversas no mercado financeiro. Passou a frequentar o espaço público de forma ampla. E isso é ótimo. Ganha-se, assim, consciência sobre as práticas de responsabilidade e sustentabilidade adotadas por empresas e que terão impacto profundo no dia a dia das pessoas.

A preocupação com medidas de sustentabilidade vem amadurecendo ao longo dos últimos anos, tornando-se premente a necessidade de virar o jogo e melhorar a preservação dos recursos naturais, abrir espaço para visões distintas de mundo, estimular cada vez mais o respeito e a empatia, além de fomentar a transparência das instituições. ESG é mundo real.

No âmbito dos negócios, onde o assunto move frequentes discussões, foi o G, de Governança, que puxou este movimento. Ela determina as regras para o gerenciamento de uma corporação, protegendo o sistema como um todo. Sabemos que algo é feito com higidez, visto e analisado, quando há uma boa governança, mitigando os riscos gerais para um negócio.

Para o S, de Social, implica, sobretudo, saber ouvir. A partir de uma escuta atenta, uma companhia gere e cuida melhor de sua comunidade: suas pessoas, seus clientes, seus parceiros e seus fornecedores. No E, de Environment (no Brasil, A, de ambiental), estamos falando de como uma empresa entende e gerencia o impacto de suas ações no ambiente e como isso é notado pela sociedade.

No fim do dia, estamos falando que a aderência aos fatores ESG desperta as corporações para os sinais que podem afetá-la, tanto positiva quanto negativamente. Uma vez conhecidos, ela ganha capacidade de agir para reduzir os riscos e maximizar as oportunidades. E há alguma empresa hoje, no mundo, que se permita negligenciar gerenciamento de riscos e oportunidades?

Nas últimas duas décadas, o papel da B3, como infraestrutura de mercado, tem sido o de fomentar essas práticas, atuando lado a lado com as empresas ou criando produtos e serviços que a ajudem a implementar, aprimorar e dar visibilidade ao tema. O Novo Mercado, o ISE B3 (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e o ICO2 B3 (Índice Carbono Eficiente) são alguns dos exemplos de iniciativas nesse sentido.

Desenvolvido em 2005, o ISE B3 foi o primeiro índice do tipo na América Latina, e seu papel vai muito além de ser um benchmark para os investidores que buscam empresas comprometidas sob diversos aspectos ESG, como eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.

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O ISE B3 funciona como referência e ferramenta de diagnóstico para instituições que estão em busca de evoluir em suas práticas. E, para que o índice se torne ainda mais replicável por investidores e aderente à realidade das empresas, estamos neste momento promovendo mudanças em sua metodologia, que serão apresentadas este mês.

O mercado já percebeu que é imperativo para as empresas seguirem as práticas sustentáveis se quiserem continuar relevantes e competitivas. Cerca de 55% das 437 companhias listadas na B3 integram ao menos um dos sete índices ESG da Bolsa.

Por sua vez, a sociedade e os investidores, com conhecimento e informação disponível, estão atentos às iniciativas reais de promoção dessas práticas. Cerca de 2,6 milhões de investidores têm ações de uma ou mais empresas que integram algum dos índices ESG na B3. Sem contar as cerca de 5,3 mil pessoas com cotas de ETFs ESG (fundos com cotas negociadas em Bolsa e que se referenciam em algum índice sustentável) e as quase 28 mil pessoas físicas que aplicam em títulos de dívida corporativos que financiam projetos sociais, sustentáveis ou verdes.

ESG não é uma febre. É sobrevivência e cura.

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*DIRETORA EXECUTIVA DE PESSOAS, MARKETING, COMUNICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DA B3






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