Menu
Mundo

El Niño é uma ameaça ‘aterrorizante’ para os corais, diz especialista em biodiversidade

O cientista coordenou um amplo estudo, publicado na quinta-feira (1) na revista Nature, que mostra a grave deterioração do estado de saúde dos corais

Redação Jornal de Brasília

16/10/2026 6h28

ilustracao identifica area de ocorrencia do el nino 0

© Ilustração Nottus/Divulgação

O atual fenômeno El Niño, de intensidade excepcional, representa uma ameaça “aterrorizante” para os valiosos recifes de coral do mundo, declarou à AFP David Obura, presidente do grupo de especialistas em biodiversidade apoiado pela ONU.

O cientista coordenou um amplo estudo, publicado na quinta-feira (1) na revista Nature, que mostra a grave deterioração do estado de saúde dos corais construtores de recifes desde o último relatório mundial, publicado em 2008.

“Nossos resultados mostram que, em 2020, quase metade de todas as espécies de corais estavam em risco elevado de extinção”, principalmente devido à mudança climática, conclui o estudo elaborado por dezenas de pesquisadores.

Mas o estudo é baseado apenas em informações divulgadas até 2020, e as conclusões podem ser ainda mais alarmantes hoje, explicou Obura, cientista queniano que preside a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

Desde então, as temperaturas dos oceanos atingiram níveis recorde, com o impacto adicional do atual El Niño, de intensidade excepcional.

O fenômeno acrescenta “um nível adicional de risco aterrorizante”, disse Obura à AFP.

Trata-se de um fenômeno natural que eleva a temperatura da superfície do Oceano Pacífico e altera os padrões de ventos e precipitações no planeta.

O evento atual, declarado em junho, pode se tornar o mais intenso já registrado, amplificando os efeitos da mudança climática provocada pelos seres humanos.

Obura destaca as consequências devastadoras para os corais de um anterior “super El Niño”, em 1997-1998. O fato de o episódio atual se anunciar ainda mais intenso é, para ele, uma “realidade aterrorizante”.

“É completamente possível que uma reavaliação do estado dos corais logo após este El Niño possa mostrar que mais de 50% das espécies estão em risco elevado de extinção”, teme o cientista.

Os corais já estão morrendo em larga escala. Muitos cientistas observam seu colapso nos trópicos.

Os corais — barreiras contra a erosão e reservas de biodiversidade, que além disso armazenam carbono — sofrem um branqueamento devido ao efeito do calor, o que os torna particularmente vulneráveis ao aquecimento climático.

Em oceanos mais quentes, eles expulsam os microrganismos que lhes dão suas cores vibrantes e seu alimento, e acabam morrendo de fome.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado