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Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões e eleva pressão fiscal

Número histórico reacende alertas sobre a sustentabilidade das contas públicas americanas, com juros e programas sociais entre os principais fatores de pressão.

Redação Jornal de Brasília

20/08/2026 13h28

Foto: AFP

Foto: AFP

A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, informou o Departamento do Tesouro nesta quarta-feira (20), em meio a alertas de que a trajetória fiscal do país se torna cada vez mais pressionada pelo avanço dos gastos com programas sociais e pelos pagamentos de juros.

Segundo o balanço diário de caixa e dívida do Tesouro, o total em circulação era de US$ 40,047 trilhões na terça-feira. Desse montante, US$ 32,266 trilhões correspondiam a títulos do Tesouro detidos pelo público e US$ 7,782 trilhões à dívida intragovernamental.

A dívida do governo federal mais que dobrou em menos de uma década, partindo de US$ 19,95 trilhões quando Donald Trump assumiu a presidência pela primeira vez, em janeiro de 2017. Aproximadamente um terço desse aumento ocorreu durante os dois anos de endividamento para financiar as respostas à pandemia da Covid-19 adotadas por Trump e pelo ex-presidente Joe Biden, enquanto outras escolhas de política fiscal e desequilíbrios de longa data entre receitas e gastos responderam pelo restante.

Grupos de fiscalização orçamentária vêm alertando há semanas para a possibilidade de uma crise de dívida em grande escala, caso parlamentares não enfrentem o cenário fiscal com aumento de impostos, cortes de gastos ou ambos. Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, afirmou que a dívida de US$ 40 trilhões já afeta a economia e chega ao bolso das pessoas.

A marca foi atingida menos de cinco meses depois de a dívida ter chegado a US$ 39 trilhões. MacGuineas também destacou que o valor quadruplicou em menos de 20 anos, depois de ter levado até 1981 para alcançar US$ 1 trilhão pela primeira vez.

No mercado de títulos, os rendimentos dos papéis de longo prazo subiram a níveis próximos aos mais altos em quase duas décadas, em meio à forte emissão de dívida do governo dos EUA. Nesta quarta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a duplicação do volume de recompra de títulos de 10 a 30 anos, para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, na tentativa de conter a alta dos rendimentos.

A preocupação também se estende à demanda externa. Segundo analistas citados no texto, a procura de investidores estrangeiros por títulos da dívida americana vem diminuindo ao longo do último ano, o que pode agravar a volatilidade do mercado.

O Tesouro informou ainda que julho teve um déficit de US$ 432 bilhões, o quarto maior da história dos Estados Unidos, pressionado por reembolsos de tarifas, receitas alfandegárias negativas pelo terceiro mês consecutivo e aumento dos gastos com benefícios da Previdência Social e do Medicare. Nos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026, o déficit já superou o total de todo o ano fiscal de 2025, embora ainda faltem dois meses para o fim do período.

O avanço da dívida também reflete o peso crescente dos juros. Os EUA gastam cerca de US$ 7 trilhões por ano, dos quais 60% vão para programas obrigatórios, como Previdência Social, Medicare, Medicaid e assistência a veteranos. O valor de US$ 1,1 trilhão é destinado ao pagamento de juros da dívida, cujo custo cresce com o aumento do endividamento e das taxas de juros.

O orçamento do ano fiscal de 2025 marcou a primeira vez que os custos do serviço da dívida superaram o financiamento do Pentágono. Já nos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026, os juros ultrapassaram os gastos com assistência médica do Medicare, tornando-se o segundo maior item do orçamento federal, atrás apenas da Seguridade Social.

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