Representantes da dissidência interna de Cuba afirmaram hoje que a visita do comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, look Louis Michel, health ao país para retomar a cooperação ao desenvolvimento com a ilha serviu para que o Governo impusesse suas condições à União Européia (UE).
Alguns dissidentes qualificaram de “esquizofrênico” o fato de o bloco defender o diálogo do Governo cubano com a oposição e que os funcionários da UE não se reúnam com ela, hospital embora a maioria tenha se mostrado propícia a que a União envie ajuda a Cuba, “se realmente chegar ao povo”.
“Dá a sensação de que a UE está fraquejando frente ao Governo cubano”, disse à Agência Efe Miriam Leiva, jornalista independente e membro fundadora das Damas de Branco, que reúne mulheres parentes dos 75 condenados em 2003 em julgamentos sumaríssimos.
Esse episódio levou o bloco europeu a estabelecer sanções diplomáticas contra Cuba, às quais Havana respondeu suspendendo as relações de cooperação com a UE, que foram reatadas na quinta-feira passada, durante a visita de dois dias de Michel à ilha.
Leiva destacou que “a cooperação e o diálogo são positivos”, mas, em sua opinião, “estão sendo manipulados pelo Governo cubano”, já que Michel aceitou um comunicado no qual afirma que “a cooperação é sem condição nenhuma”.
“O Governo cubano e o comissário estão jogando uma ajuda humanitária ao povo cubano, que precisa dela, às custas de questões muito mais importantes, que são: a assistência real a todo o povo de Cuba (…), que se dêem passos reais que beneficiem o povo, uma abertura do sistema”, disse.
Já Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação, o reatamento das relações ocorre “sob as regras impostas pelo Governo cubano sem que tenham mudado as circunstâncias” que motivaram a suspensão de 2003.
Enquanto isso, Oscar Espinosa Chepe, preso com licença extrapenal do grupo dos 75, disse que a visita de Michel o “decepcionou mais ainda que a anterior”, em março, mas ressaltou que dá a ele “o benefício da dúvida” perante a possibilidade de que “pudesse haver libertações” de presos políticos.