Mesmo com escassas aparições públicas devido às ameaças que recebe, o político holandês Geert Wilders construiu um forte movimento político antimuçulmano, anti-imigração e antieuropeu desde 2006 e venceu as eleições de quarta-feira na Holanda.
A vitória da extrema direita nas eleições legislativas surpreendeu a Europa, mas o líder radical terá muitas dificuldades para conseguir formar um governo. O Partido Pela Liberdade (PVV), de Wilders, conquistou 37 das 150 cadeiras no Parlamento, mais do que o dobro do resultado obtido nas eleições de 2021. “Os eleitores falaram. As cadeiras estão atribuídas. Agora, é importante ver em que pontos podemos concordar”, disse Wilders, comemorando seu sucesso com champanhe.
Mais tarde, ele disse a jornalistas que queria ser o primeiro-ministro de todos os holandeses e trabalharia arduamente com outros partidos para formar uma coalizão.
Alianças
Mas a vitória não garante o cargo de primeiro-ministro a Wilders, chamado por alguns de “Trump holandês” por seu cabelo e pelas opiniões contrárias à imigração. Durante a campanha, os líderes dos outros três principais partidos afirmaram que não integrariam uma coalizão liderada pelo PVV.
A aliança entre esquerda e ecologistas, liderada pelo social-democrata Frans Timmermans, do Partido do Trabalho (PvdA), foi a segunda mais votada, com 25 cadeiras no Parlamento (8 a mais que em 2021). O Partido Popular pela Liberdade e a Democracia (VVD), do atual primeiro-ministro Mark Rutte, conseguiu apenas 24 parlamentares (10 a menos que em 2021).
O Novo Contrato Social (NSC), fundado recentemente e liderado por Pieter Omtzigt, conhecido por suas posições anti-imigração, obteve 20 deputados e é um parceiro potencial de Wilders. Ele afirmou que está disponível, mas alertou que a negociação “não será fácil”. Após as eleições de 2021, Rutte, que passou 13 anos à frente do governo, demorou 271 dias concretizar um acordo e formar um governo.
Estadão Conteúdo