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Mundo

Desmatamento no mundo desacelerou em 2025, com contribuição-chave da América Latina

O número é “promissor” e “demonstra que é possível avançar”

Redação Jornal de Brasília

14/10/2026 10h44

area desmatada amazonia

Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

O desmatamento desacelerou no mundo no ano passado graças a uma clara melhora na América Latina, mas esse cenário global pode durar pouco devido ao fenômeno El Niño e à deterioração da situação na África Central, segundo um estudo de referência publicado nesta quarta-feira (14).

No ano passado, perderam-se pouco mais de 7 milhões de hectares de floresta em todo o planeta (15% a menos do que em 2024), segundo o balanço anual do coletivo Forest Declaration Assessment, que reúne cientistas, ONGs e grupos de análise.

O número é “promissor” e “demonstra que é possível avançar”, destacou Erin Matson, especialista da Climate Focus e coautora do relatório, em uma apresentação à imprensa.

“Mas, por enquanto, 2025 é uma exceção, não uma nova trajetória”, destacou.

As principais causas do desmatamento e da degradação das florestas continuam sendo a agricultura, a mineração e, de modo geral, a exploração de matérias-primas.

A zona tropical da América Latina e do Caribe foi a região com maior desmatamento: 2,54 milhões de hectares. Foi também onde houve a maior queda em relação a 2024: uma redução de 28%.

No entanto, como alerta o relatório, o progresso “reflete decisões políticas específicas em determinados países, como o Brasil, que são vulneráveis a mudanças políticas” e a “pressões estrangeiras”.

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incentivou a proteção das florestas e, de fato, o desmatamento na Amazônia brasileira caiu, no último ano, para o seu menor nível em uma década.

Seu rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que chega em posição de força ao segundo turno de 25 de outubro, promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas insiste que o meio ambiente é “um ativo econômico estratégico” que pertence, antes de tudo, “aos brasileiros”.

“Essa redução do desmatamento não foi obtida às custas do sacrifício da produção agrícola ou do desenvolvimento econômico”, aponta Ane Alencar, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Um argumento que, segundo ela, poderia dissuadir o poderoso setor agroalimentar brasileiro de tentar reverter a tendência em caso de vitória de Bolsonaro.

Os autores do relatório temem que a situação também possa se inverter com os novos líderes do Peru, Keiko Fujimori, e da Colômbia, Abelardo de la Espriella.

O relatório destacou que a Colômbia, sob o comando do esquerdista Gustavo Petro, contribuiu ao registrar seu quarto ano consecutivo de queda no desmatamento em 2025, reduzindo o corte de árvores vinculado à pecuária em departamentos como Meta, Caquetá e Guaviare.

“Desastre”


Apesar da melhora geral, a situação piorou no ano passado na Bacia do Congo, onde o desmatamento consumiu 2,4 milhões de hectares, um nível comparável, pela primeira vez, ao da América Latina.

Sam Nguiffo, advogado e fundador do Centro para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento em Camarões, lamentou o que chamou de “desastre”.

“O aspecto econômico parece prevalecer sempre na gestão das florestas na África Central”, impulsionado pela agricultura e pela mineração, afirmou.

Efeitos do El Niño


Por outro lado, e apesar da desaceleração em 2025, o mundo continua se desviando da trajetória correta para eliminar o desmatamento até 2030, um compromisso assumido em 2021 por mais de 140 líderes na conferência do clima de Glasgow, a COP26.

Para alcançar esse compromisso, o desmatamento precisaria recuar um milhão de hectares por ano, o que está muito distante da tendência observada nos últimos tempos.

Os autores do estudo alertam ainda que o fenômeno El Niño atualmente em curso, de intensidade excepcional, pode intensificar “os riscos de seca e incêndios” nas florestas tropicais.

“Os efeitos deste El Niño já são visíveis em países como a Indonésia, onde ocorrem incêndios há semanas a fio”, destaca Erin Matson.

Por isso, uma nova redução do desmatamento, como a observada em 2025, parece “improvável” para 2026.

AFP

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