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Deputados americanos defendem embargo a Cuba como "imperativo moral"

Arquivo Geral

07/02/2012 17h47

Líderes da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos defenderam nesta terça-feira (7) o embargo econômico-comercial a Cuba como um “imperativo moral” para promover a transição democrática na ilha, num dia em que a medida completa meio século de vigência.

Já o governo de Cuba, por meio de seu Escritório de Interesses em Washington, voltou nesta terça-feira a criticar o bloqueio econômico americano, e classificou como “insuficientes e limitadas” as mudanças da política bilateral promovidas pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para flexibilizar as viagens e o envio de remessas à ilha.

Em comunicado conjunto, os legisladores republicanos Ileana Ros-Lehtinen, David Rivera e Mario Díaz Balart e o democrata Albio Sires afirmam que, “além de impor pressões econômicas sobre o regime de Castro e exigir contas por ações contra interesses americanos, o embargo é uma postura moral contra a ditadura”.

Ros-Lehtinen disse que o embargo, imposto sob a Presidência de John F. Kennedy no dia 7 de fevereiro de 1962, tornou-se uma constante mostra de solidariedade com o povo cubano. “Mantenho a esperança que chegará a ‘Primavera Cubana’ enquanto mantivermos e fizermos cumprir as políticas (de apoio ao povo)”.

Ela acrescentou que o embargo se manterá até que o governo de Cuba convoque eleições “livres, justas e transparentes”, liberte todos os prisioneiros políticos e estabeleça a liberdade de expressão e de imprensa.

Díaz Balart reiterou sua acusação de que Obama insiste em oferecer “concessões unilaterais” a Cuba, embora, em sua opinião, o governo de Havana intensifique a repressão da dissidência.

Washington deve “fortalecer as sanções contra o regime” liderado pelo general Raúl Castro para privar o governo cubano de qualquer apoio financeiro e para respaldar os ativistas pró-democracia na ilha, acrescentou o parlamentar.

O democrata Sires considerou que a repressão em Cuba piorou a ponto de, em sua opinião, “os cubanos estão sofrendo mais do que nunca” pelo regime dos irmãos Raúl e Fidel Castro.

O Escritório de Interesses de Cuba, por sua vez, divulgou nesta terça-feira um documento no qual menciona as consequências negativas “do bloqueio econômico, comercial e financeiro” dos EUA, apesar de a Assembleia Geral da ONU pedir há anos a eliminação da medida.

A nota das autoridades cubanas elogia as mudanças empreendidas por Obama, mas as considera “insuficientes e extremamente limitadas”, além de “não serem pensadas para alterar a complexa estrutura de leis, regulações e cláusulas que conformam a política de bloqueio contra Cuba”.

Havana calcula que, desde 1962, o embargo causou danos econômicos superiores a US$ 104 bilhões, embora o vice-chanceler Abelardo Moreno tenha elevado esse número a quase US$ 1 trilhão devido à desvalorização do dólar.

Apesar do embargo, o fluxo de pessoas e remessas seguem aumentando. No ano passado, cerca de 300 mil cubano-americanos visitaram a ilha. Estima-se que esse número possa chegar a 500 mil em 2012.

Além disso, as remessas enviadas a Cuba em 2010, em sua maioria procedentes dos EUA, superaram US$ 1 bilhão.

No início de 2011, Obama assinou uma ordem executiva para flexibilizar as restrições de viagens e envios de remessas a Cuba adotadas por seu antecessor, George W. Bush. No entanto, é o Congresso americano que tem a faculdade de derrogar o embargo, reforçado em 1996 com a chamada Lei Helms-Burton.

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