GUILHERME BOTACINI
FOLHAPRESS
Senadores críticos ao presidente do Paraguai, Santiago Peña, questionam o paradeiro do chefe do Executivo enquanto o Congresso decide se aceita a renúncia de Peña ou se abre um processo de impeachment. Congressistas comparam a situação do presidente à de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição brasileira que fugiu do país após perder o pleito para Lula (PT).
“Quero os cidadãos saibam, há duas saídas para Santiago Peña. A primeira tem a ver com o processo de impeachment: ele segue sendo presidente e portanto não pode sair do país sem autorização do Congresso. Quando terminar essa novela, Santiago Peña vai cumprir com a Justiça como qualquer cidadão”, afirmou Esperanza Martínez, do partido Frente Guasú.
“Se Santiago Peña hoje se aceita a renúncia, vai sair daqui como senador vitalício sem que nada possa tocá-lo. Vai pegar o avião que quiser, fazer o que fez [Flávio] Bolsonaro e ser recebido por algum governo amigo, e tem vários, e vai zombar de nós. O que vamos dizer ao povo quando ele estiver no exterior?”, disse Martínez durante declaração no Congresso paraguaio.
Ao menos dois outros senadores questionaram se Peña ainda segue no país enquanto o Congresso ainda debate que decisão vai tomar. O Executivo não comunicou ao Legislativo sobre qualquer saída do presidente do país, segundo o presidente do Senado afirmou durante sessão na tarde desta quinta-feira (5).
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) em meio a denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes.
A crise abalou o país. “Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Peña em um pronunciamento em vídeo publicado na rede X.
O anúncio de sua saída ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados analisava a abertura de um processo de impeachment. Até mesmo a base governista anunciou que votaria a favor da medida, abrindo caminho para que a acusação fosse aprovada por unanimidade.
Apesar do anúncio da renúncia, a Câmara seguiu com a votação, e os 78 parlamentares presentes aprovaram por unanimidade a abertura do processo de impeachment. Agora, caberá ao Senado dar a palavra final e decidir se dará continuidade ao processo de destituição ou se aceitará a renúncia do presidente.
A decisão terá impacto direto sobre a situação política e judicial de Peña. Se sofrer impeachment, ele não poderá assumir o cargo de senador vitalício —condição reservada aos ex-presidentes paraguaios que lhes permite integrar o Senado, com direito a participar dos debates, mas sem votar.
Nesse caso, Peña ficará sujeito a um eventual processo criminal decorrente da denúncia apresentada contra ele. Por outro lado, se o Senado aceitar sua renúncia e encerrar o processo de impeachment, Peña poderá assumir uma cadeira de senador vitalício, o que lhe garantirá imunidade parlamentar.
Críticos de Santiago Peña questionam paradeiro de presidente e o comparam a Flávio Bolsonaro
Ao menos dois outros senadores questionaram se Peña ainda segue no país enquanto o Congresso ainda debate que decisão vai tomar
Foto: Reprodução/ X @SantiPenap