O comissário-chefe da Scotland Yard, capsule Ian Blair, medical criticado por sua gestão na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, apresentou hoje sua renúncia em Londres.
Blair viveu meses sob pressão devido a seu questionado trabalho e chegou a admitir que não contava com o apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson.
“Não acredito que possa continuar no cargo sem o apoio do prefeito”, disse Blair.
Blair explicou que Johnson havia falado ontem “gentilmente, mas decidido”, que desejava uma “mudança” no comando da Polícia Metropolitana de Londres.
“Não estou renunciando por nenhuma falha minha em serviço nem porque as pressões do cargo e as muitas histórias que o rodeiam sejam demais. Estou renunciando pelo interesse da população de Londres e do serviço da Polícia Metropolitana”, afirmou.
Johnson, que se tornou ontem presidente da Autoridade da Polícia Metropolitana e também o primeiro prefeito a assumir o cargo, justificou hoje a repentina saída de Blair pela necessidade de “uma nova liderança” nessa força policial.
Em declarações à imprensa, o ex-comissário chefe da Scotland Yard informou que deixará o cargo em 1º de dezembro, depois que a ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, aceitar “com má vontade, mas gentilmente”, sua renúncia.
A família de Jean Charles, baleado à queima-roupa por dois agentes da Scotland Yard que confundiram o brasileiro com um terrorista suicida em julho de 2005, afirmou hoje que Blair deveria ter renunciado “há três anos, quando ele e seus homens mataram o homem errado”.
Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, destacou que o comissário fez uma “contribuição pessoal enorme à segurança deste país”.
Blair, que assumiu o cargo em fevereiro de 2005, foi muito criticado pela forma que conduziu o caso Jean Charles.
Horas depois do tiroteio na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres), Blair afirmou que o fato estava “diretamente relacionado” com as operações antiterroristas do 21-J, embora um dia depois tenha corrigido essa versão, admitido que os agentes tinham matado uma pessoa inocente e pedido desculpas publicamente.
A família de Jean Charles sempre acusou Blair de mentir sobre a morte do brasileiro, assunto atualmente a cargo de uma investigação pública em Londres, que está revisando a atuação da Polícia no trágico acontecimento.
A pressão sobre Blair aumentou depois que a Polícia Metropolitana foi declarada culpada em novembro de 2007 de descumprir uma lei de prevenção de riscos trabalhistas no caso Jean Charles, inclusive por parte de Johnson, que repetidamente se recusou a apoiar publicamente o comissário-chefe.
Às críticas pelo caso Jean Charles se soma a denúncia por discriminação racial apresentada contra ele por um de seus comissários adjuntos, Tarique Ghaffur, de origem asiática, que acusa Blair de submetê-lo a tratamentos “humilhantes e degradantes” e de tentar contestar sua autoridade.
A pressão aumentou depois de a imprensa britânica ter revelado hoje que Blair concedeu um contrato à empresa de um amigo para ajudá-lo a melhorar sua imagem.