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Coreias avaliam retomar negociações sobre desnuclearização

Arquivo Geral

22/07/2011 13h50

As duas Coreias acertaram nesta sexta-feira em Bali fazer esforços para retomar “o mais rápido possível” as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, mais de dois anos e meio após a estagnação das discussões.

 

O acordo foi firmado durante o encontro mantido pelo vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, e o principal negociador da Coreia do Sul, Wi Sung-lac, no marco das reuniões ministeriais realizadas pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) na ilha indonésia de Bali.

 

Ri anunciou no final das conversas que as duas partes reafirmaram seu interesse em implementar a declaração de 2005, quando o regime de Pyongyang concordou em abandonar seu programa nuclear como condição para receber apoio financeiro. Segundo o vice-ministro norte-coreano, a reunião foi “franca e útil”.

 

“Acertamos continuar os esforços conjuntos nas negociações para a desnuclearização”, acrescentou o diplomata norte-coreano em declarações à imprensa.

 

O representante do governo de Seul concordou que o diálogo havia sido “muito construtivo” e indicou que as duas delegações trabalharam para criar um ambiente propício para retomar as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano.

 

As conversas multilaterais do Sexteto para a Coreia do Norte (que inclui as duas Coreias, Estados Unidos, China, Japão e Rússia) estão estagnadas desde que em meados de 2008 Pyongyang decidiu se retirar após as sanções impostas pelas Nações Unidas por conta dos testes com mísseis de longo alcance realizados pelo país.

 

A reunião entre os enviados especiais teve como objetivo abrir o caminho para que neste sábado seja realizado um encontro de maior importância entre o ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Kim Sung-hwan, e seu colega norte-coreano, Pak Ui-chun.

 

Os dois ministros participarão do Fórum de Segurança da Asean realizado também em Bali e que em ocasiões anteriores serviu para impulsionar o diálogo entre as duas Coreias.

 

Além disso, o fato de que os representantes de todos os países que integram as negociações irão comparecer ao Fórum gerou expectativas de avanços.

 

Na reunião bilateral da Asean com a China, o chefe da diplomacia chinesa, Yang Jiechi, afirmou que qualquer passo dado para promover uma atmosfera melhor e o diálogo entre as partes será positivo para conseguir paz, estabilidade e segurança na região.

 

O regime norte-coreano sugeriu recentemente que tem a intenção de retomar as negociações, embora os EUA e o Japão considerem que antes de recomeçar a negociação de seis lados é necessário um diálogo entre as duas Coreias.

 

Além disso, os governos de Washington e Seul indicaram que o regime de Pyongyang deve demonstrar seu compromisso em abandonar o programa nuclear como condição prévia ao reatamento das negociações.

 

Seul também quer que a Coreia do Norte reconheça oficialmente que afundou uma embarcação de seu país com projéteis em março de 2010, o que causou a morte de 46 tripulantes, e que, além disso, atacou com uma ilha sul-coreana no Mar Ocidental em novembro do mesmo ano, um incidente que provocou a morte de dois civis e dois militares sul-coreanos.

 

As duas Coreias se enfrentam desde o conflito armado que mantiveram de 1950 a 1953, que finalizou com um armistício.

 

No final da década de 1970, a Coreia do Norte começou a desenvolver seu programa de armas nucleares e a ampliar a central de Yongbyon. Em algumas ocasiões anteriores, Pyongyang mantinha as negociações enquanto permanecia desenvolvendo seu programa nuclear.

 

O programa nuclear norte-coreano foi um dos principais assuntos abordados nas reuniões multilaterais da Asean, que começaram na terça-feira, e deve ser o um tema central no Fórum de Segurança da Asean, do qual participarão Estados Unidos, China, Rússia e a União Europeia, entre outros.

 

A Asean, fundada em 1967, é formada por Mianmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

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