Os moradores da região de Aysén voltaram a protestar com força nas ruas nesta quinta-feira depois que o Governo chileno condicionou o diálogo ao restabelecimento da ordem pública, apesar de os moradores terem decidido reduzir os bloqueios de rotas.
Os moradores da região, que protestam desde o dia 13 de fevereiro para reivindicar medidas que diminuam seu isolamento, veem mais distante uma possível saída ao conflito, enquanto o Governo avançou algumas das ofertas que está disposto a conversar.
Com o diálogo cortado, os quatro parlamentares da região, dois opositores e dois da coalizão de Governo, viajariam na tarde desta quinta-feira a Santiago para pedir ao presidente, Sebastián Piñera, que restabeleça essas conversas.
O dia começou com o anúncio do Movimento Social pela Região de Aysén de que estava disposto a reduzir de sete a duas horas o tempo de bloqueio da rota que conecta Coyhaique, capital regional, com Balmaceda, onde se encontra o aeroporto regional.
Apesar de o resto das mobilizações continuar da mesma forma, os dirigentes apresentaram este anúncio como um gesto em direção ao Governo, que na quarta-feira, através do ministro da Energia, Rodrigo Álvarez, tinha condicionado o diálogo ao fim de cortes de rotas.
O porta-voz do Governo, Andrés Chadwick, declarou no Palácio da Moeda que não haveria diálogo se não fossem retirados todos os bloqueios e restabelecida a ordem pública na região.
Os dirigentes de Aysén reagiram com surpresa e indignação. “Hoje o Governo nos deu uma bofetada, provocou uma raiva coletiva e o povo espontaneamente voltou às ruas”, disse à Agência Efe Ivan Fuentes, porta-voz do movimento.
Após a resposta dada pelo Executivo, cerca de 300 pessoas se manifestaram na frente do Governo regional, em Coyhaique, 1.700 quilômetros ao sul de Santiago, em plena Patagônia.
Enquanto isso, em Puerto Aysén, 65 quilômetros ao oeste dali, os moradores voltaram a cortar o trânsito na ponte Presidente Ibáñez, que comunica as duas partes da cidade e que se transformou em símbolo dos protestos.
Em Coyhaique, o ministro da Energia, em entrevista coletiva e sem a presença dos dirigentes de Aysén, detalhou 15 propostas que o Governo preparou e que deveriam ser apresentadas na até agora fracassada mesa de diálogo.
Entre essas iniciativas, que se dirigem às principais demandas de Aysén, se destacam subsídios para combustíveis, lenha seca e melhoramento da matriz energética, e novas condições nos subsídios para moradia.
Também há a possibilidade de outorgar mais bolsas de estudos estudantis e instalar uma sede universitária com fundos públicos, assim como tramitar com urgência no Congresso o projeto de lei de zonas extremas.
Álvarez também ofereceu que os ministros de Economia, Pablo Longueira, e de Trabalho, Evelyn Matthei, trabalhem com representantes da região sobre a questionada Lei de Pesca e sobre as condições trabalhistas, respectivamente.
Na coalizão de Governo aconteceram reações díspares perante os últimos eventos.
O vice-presidente de Renovação Nacional, Manuel José Ossandón, considerou “um erro colocar o pé em cima dos movimentos sociais”, enquanto o secretário-geral da União Democrata Independente (UDI), Víctor Pérez, apoiou a estratégia do Governo.
Já membros do Partido Comunista, que tem três deputados na Câmara, pediram que a oposição não inicie os trabalhos legislativos este mês se o Governo não responder aos moradores de Aysén.
Esteban Velázquez, prefeito da cidade de Calama, onde os moradores também protestaram no ano passado contra o centralismo do Estado chileno, advertiu o Governo nesta quinta-feira que se o Governo não ceder às necessidades das regiões, haverá “100 incêndios” no país.