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Começa julgamento de americana acusada de integrar o Estado Islâmico

Halima Salman tinha 17 anos quando viajou à Síria e pode pegar até dez anos de prisão; defesa afirma que ela foi levada ao território jihadista ainda menor de idade

Redação Jornal de Brasília

13/10/2026 15h20

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Foto: US. Eastern District/Divulgação

Uma americana de 27 anos, acusada de ter recebido treinamento para combater nas fileiras do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria, compareceu nesta terça-feira (13) a um tribunal federal de Nova York para o início de seu julgamento.

Halima Salman foi uma das centenas de mulheres que acabaram em territórios controlados pelo EI, casadas com combatentes jihadistas, e posteriormente foram capturadas e detidas.

Segundo uma fonte judicial, é a primeira vez que uma americana é julgada no país por uma acusação desse tipo.

Outra americana que comandava um batalhão do EI foi condenada nos Estados Unidos em 2022, mas não chegou a ser julgada porque se declarou culpada.

Salman é acusada de “ter recebido treinamento de tipo militar de uma organização terrorista estrangeira”, crime punível com até dez anos de prisão, segundo documentos apresentados ao Tribunal Federal do Brooklyn.

Ela tinha 17 anos quando, entre o fim de 2016 e o início de 2017, viajou com sua família para uma região da Síria controlada pelo EI, após passar pela Rússia e pela Turquia.

Na Síria, casou-se com Abu Ali, um combatente do EI de nacionalidade germano-afegã, segundo os documentos judiciais.

No início de 2019, combatentes sírios que lutavam contra o grupo jihadista capturaram Salman e vários membros de sua família. Todos permaneceram detidos durante anos em um acampamento.

Salman retornou aos Estados Unidos em 2024 e foi presa assim que chegou. Nesta terça-feira, compareceu à Justiça após obter liberdade sob fiança.

Segundo seu advogado, Samuel Jacobson, sua cliente é, acima de tudo, “vítima da decisão do marido de sua mãe de levá-la, quando era menor de idade, para o território do EI na Síria”.

O advogado também afirmou que o casamento de Salman com um combatente foi arranjado.

Entre as provas apresentadas pelo Ministério Público estão fotografias encontradas no celular de seu marido, nas quais ela aparece diante de uma bandeira do EI ou segurando um fuzil de assalto.

Embora centenas de americanos tenham tentado se juntar ao Estado Islâmico, apenas 83 conseguiram viajar para o Iraque ou a Síria e ingressar na organização, segundo um relatório publicado em 2022 pela Universidade George Washington, dos Estados Unidos.

Entre eles, havia de 12 a 30 menores de idade.

AFP

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