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Com a AIEA em Teerã, Khamenei diz que Irã escolheu <i>resistir aos arrogantes</i>

Por Arquivo Geral 31/10/2007 12h00

O líder supremo do Irã, approved Ali Khamenei, declarou hoje que o país seguirá adiante com seu programa nuclear e que escolheu resistir aos arrogantes, enquanto as negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as atividades atômicas continuam na capital, Teerã.


“O futuro dos povos depende de uma decisão histórica: ou decidem submeter-se à hegemonia e aceitar a arrogância ou enfrentar os arrogantes. O povo iraniano tomou uma decisão histórica e escolheu a segunda opção”, disse o líder iraniano, segundo a agência de notícias Irna.


Khamenei fez esta declaração durante reunião com milhares de membros do Basij (força paramilitar voluntária, subordinada à Guarda Revolucionária), em meio a informações sobre uma reunião dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, para discutir um endurecimento das sanções contra o Irã.


Os membros permanentes do Conselho são Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia.


Hoje, toda a imprensa iraniana destacou as declarações do ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, considerando que as sanções unilaterais destroem os esforços coletivos feitos para resolver a polêmica sobre o programa nuclear iraniano.


Os EUA e a União Européia (UE) suspeitam que o programa tenha fins militares, apesar dos desmentidos do Irã. Várias autoridades iranianas reiteraram que o programa nuclear do país é pacífico e que não temem o embargo econômico.


O próprio presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, chamou de inúteis as novas sanções impostas recentemente pelos EUA à Guarda.


Em seu discurso, Khamenei não se referiu às sanções, nem à próxima reunião do Conselho de Segurança, mas disse que “as forças arrogantes não terão sucesso diante da vontade de um povo comprometido a seguir a marcha rumo à independência e à dignidade”.


“Os sucessos científicos no âmbito nuclear são uma prova do desenvolvimento da República Islâmica”, acrescentou Khamenei, segundo a Irna.


“A oposição das potências arrogantes (no plano nuclear iraniano), encabeçadas pelos EUA, se deve ao fato de não quererem que o povo iraniano consiga o desenvolvimento e o poder científico. Não é possível impor a hegemonia sobre nosso povo”, disse o líder supremo iraniano.


Ele pediu aos iranianos, especialmente aos jovens, para que aumentem seus conhecimentos religiosos e científicos e trabalhem pelo fortalecimento da unidade e da harmonia entre o povo e o Governo.


Khamenei lembrou os primeiros dias da Revolução Islâmica de 1979, liderada por seu antecessor, o aiatolá Ruhollah Khomeini, e elogiou a tomada da embaixada dos EUA em Teerã, feita por estudantes revolucionários em novembro do mesmo ano que mantiveram diplomatas e funcionários reféns durante 444 dias.


Para ele, a ocupação da “embaixada, que servia de sede para espiões, foi a dura resposta recebida pelo arrogante Governo americano ao massacre de estudantes iranianos em Teerã em 1978 por colaboracionistas de seu país”.


O líder iraniano falou isso em referência aos confrontos que ocorreram à época entre as forças do regime do xá Mohamad Reza Pahlevi, então um dos principais aliados de Washington, e os simpatizantes de Khomeini.


Khamenei também rejeitou as acusações americanas de que o Irã apóia grupos armados que agem no Iraque contra as tropas dos EUA, chamando-as de “pura mentira”, e afirmou que “a política estúpida da administração americana é a causa da morte de seus soldados”.


Ele acusou Washington de ser “o principal fator de insegurança no Oriente Médio”.


Enquanto isso, os negociadores do Irã e da AIEA, reunidos em Teerã desde a segunda-feira passada, decidiram continuar suas conversas amanhã sobre as centrífugas iranianas P1 e P2, destinadas ao enriquecimento de urânio.


O chefe da delegação iraniana, Javad Vaidi, disse na terça-feira que os iranianos cooperarão ao máximo com a agência, aparentemente para evitar o endurecimento das sanções contra o Irã.


As reuniões de Teerã são as últimas antes de o diretor da AIEA, Mohamed ElBaradei, apresentar seu próximo relatório sobre o programa nuclear do Irã ao Conselho de Governadores do organismo, que se reunirá em 22 de novembro.






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