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Colômbia é o segundo país com mais deslocados no mundo

Arquivo Geral

30/09/2008 0h00

Com 270.675 novos deslocados por conflitos no primeiro semestre do ano, online 41% a mais que no semestre passado e um recorde desde 1985, site a Colômbia é o segundo país com maior número de pessoas forçadas a deixar suas residências no mundo, healing atrás apenas do Sudão.

A Consultoria para os Direitos Humanos e o Deslocamento (Codhes) divulgou hoje estes números durante a apresentação de seu relatório correspondente ao período de janeiro a junho de 2008.

De acordo com o Governo, na Colômbia há 2,6 milhões de deslocados, mas, segundo a Codhes, “há um sub-registro”, ou seja, pessoas que nunca foram recenseadas, que podem alcançar 30% do total, o que levaria a contabilizar cerca de quatro milhões.

Em entrevista à Agência Efe, o presidente da Consultoria, Marco Romero, explicou que “estes números mostram um aumento exponencial do deslocamento”, um fenômeno, disse, que vem se produzindo de forma paulatina desde que o presidente Álvaro Uribe assumiu o poder, com picos em 2002 e 2005.

“O conflito armado continua na Colômbia, o processo de desmobilização paramilitar é parcial, os paramilitares seguem atuando como atores da guerra e do narcotráfico, e as guerrilhas ainda desenvolvem um confronto com o Estado e com os paramilitares”.

Esta situação “se mantém em muitas regiões da Colômbia e, onde se supõe que não há conflito, há um domínio de poderes mafiosos que estão exercendo coerção”, cobrando impostos do povo e controlando a vida política, acrescentou Romero.

O presidente da Codhes expressou que quem “se opõe a estes domínios” é eliminado, “com assassinatos seletivos, mas em massa, e a resposta do Estado é” aumentar o número de brigadas e militares.

Também explicou que, na Colômbia, são registrados altos índices de recrutamento forçado, pelo próprio Estado (o serviço militar é obrigatório) e pelos grupos armados ilegais.

Em sua apresentação, o diretor-executivo da Codhes, Jorge Rojas, disse que “a taxa nacional é de 632 deslocados para cada 100 mil habitantes” e a média diária entre janeiro e junho passado foi de 1.503 pessoas.

“A geografia do deslocamento se estende a quase todo o território nacional”, segundo Rojas, para quem o êxodo “continua sendo uma manifestação grave, crítica, sustentada e prolongada de uma crise humanitária e de direitos humanos” que o país ainda não superou.

Os casos mais numerosos foram registrados no departamento de Antioquia (noroeste), com um total de 38.638 deslocados e um aumento de 105%; Bogotá (centro), com 39.950 casos e uma alta de 74%, e Meta (centro), com 17.892 pessoas, com crescimento de 133%.

Nesse período, houve registro de 66 deslocamentos em massa que afetaram 33.251 pessoas, 12% do total da população deslocada.

As causas do deslocamento residem no rearmamento paramilitar, apesar do acordo de desmobilização firmado com as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) em 2006.

Isto ficou comprovado, segundo a Codhes, com o surgimento de novos grupos “que o Governo tenta apresentar como criminosos ou emergentes dedicados exclusivamente ao tráfico de drogas”.

Também obedece à atuação das guerrilhas, entre elas as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que, apesar de enfraquecidas por sucessivos golpes militares e pela morte de seus principais dirigentes, mantêm “seus territórios minados, extorquem e ameaçam a população”, acrescenta o relatório.

A ofensiva da Polícia, “pressionada” para que “se produzam resultados, não está isenta de violações graves aos direitos humanos”, o que gerou “desconfiança e temor da população” e, em conseqüência, aumentou o número de deslocados.

As fumigações aéreas e a erradicação manual de folha de coca, instrumentos do Governo em sua luta contra as drogas, também contribuem para um aumento significativo dos deslocamentos forçados na Colômbia.

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