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Centros de dados de IA geram ilhas de calor e elevam temperaturas em até 10 km

Estudo revela que instalações tecnológicas aumentam a temperatura da superfície em até 9,1°C, afetando mais de 340 milhões de pessoas globalmente.

Redação Jornal de Brasília

31/03/2026 9h34

publicado edital para a criação do centro integrado de inteligência artificial

| Foto: Divulgação/Secti-DF

Os centros de dados que sustentam a Inteligência Artificial (IA) estão criando ilhas de calor, com impactos que elevam a temperatura da superfície em até 9,1°C em um raio de 10 quilômetros. De acordo com uma pesquisa analisada por especialistas da Universidade de Cambridge, mais de 340 milhões de pessoas ao redor do mundo são afetadas por esses efeitos.

O estudo, ainda pendente de revisão por pares, examinou 20 anos de dados de sensores remotos sobre temperatura, focando em mais de 6 mil centros de dados localizados em áreas rurais para minimizar influências de fatores urbanos, como indústrias ou aquecimento residencial. Os pesquisadores excluíram variações sazonais e tendências globais de aquecimento para isolar o impacto das instalações.

Os resultados indicam um aumento médio de 1,8°C na temperatura da superfície após a abertura de um centro de dados. Em casos extremos, o aquecimento chegou a 9,1°C. Esses efeitos se estendem além da área imediata, alcançando até 10 km de distância.

Exemplos concretos incluem a região de Bahio, no México, que registrou um aumento de cerca de 3,6°C nos últimos 20 anos, tornando-se um polo de infraestruturas tecnológicas. Na região de Aragão, na Espanha, um padrão semelhante foi observado, sem variações equivalentes em áreas adjacentes.

Andrea Marinoni, professor associado do Grupo de Observação da Terra da Universidade de Cambridge e um dos autores, destaca que, apesar do crescimento rápido desses hyperscalers — instalações que abrigam milhares de servidores e cobrem mais de um milhão de metros quadrados, a maioria construída na última década —, há lacunas na compreensão de seus impactos ambientais.

Os achados são especialmente preocupantes diante da expansão prevista dessas infraestruturas em um contexto de ondas de calor intensificadas pelas mudanças climáticas. Marinoni alerta que esse desenvolvimento pode ter impactos dramáticos na sociedade, no ambiente, no bem-estar dos cidadãos e na economia.

Deborah Andrews, professora emérita de Design Sustentável na London South Bank University, considera este o primeiro estudo a focar especificamente no calor gerado por esses centros. Ela critica a ‘corrida ao ouro’ da IA, que avança mais rápido que as práticas sustentáveis.

Ralph Hindeman, do Borderstep Institute for Innovation and Sustainability, acha os dados interessantes, mas questiona se os valores de impacto não parecem elevados demais, enfatizando que as emissões de energia para esses centros continuam sendo a maior preocupação climática.

Marinoni espera que o estudo estimule o debate sobre como mitigar esses efeitos, permitindo um caminho que não comprometa os benefícios da IA para o progresso humano.

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