“Aprovamos o mesmo texto que o do decreto de hoje, só que sob a forma de projeto de lei”, disse Berlusconi na coletiva concedida após a reunião convocada em função da recusa do presidente do país, Giorgio Napolitano, em assinar o decreto-lei.
O projeto de lei foi enviado ao Senado para que os legisladores agilizem os trâmites para impedir a redução da alimentação e da hidratação de Eluana, iniciada hoje na clínica La Quiete, em Udine (nordeste).
Segundo fontes da Presidência italiana, Napolitano autorizou o projeto de lei para que o Parlamento comece a debatê-lo, ao passo que o Senado o incluirá segunda-feira na ordem do dia.
“Acho que agora o presidente do Senado convocará os líderes dos partidos políticos, e que depois os grupos decidirão quando poderão se reunir”, afirmou Berlusconi em relação ao processo que se abre após a aprovação do projeto de lei.
“Se há vontade de fazê-lo, e de fazê-lo rápido, achamos que pode haver uma resposta do Parlamento em pouquíssimo tempo”, acrescentou.
A iniciativa era uma das medidas que Berlusconi contemplava se Napolitano não assinasse um decreto proibindo a eutanásia em qualquer pessoa na Itália, aprovado mais cedo pelo Conselho de Ministros para tentar impedir a morte de Eluana.
O primeiro-ministro da Itália tinha se antecipado à recusa de Napolitano – que acha que a medida pode ser inconstitucional – ao afirmar que nesse caso “convidaria imediatamente o Parlamento a se reunir e a aprovar uma lei em dois ou três dias”.
Trâmites parlamentares à parte, nesta sexta-feira começou a redução da alimentação e da hidratação de Eluana, que deve matá-la em 15 dias, segundo especialistas.
Berlusconi afirmou que a iniciativa do Governo italiano responde à necessidade de uma intervenção urgente que permita a Eluana se amparar numa lei que, segundo ele, seria aprovada quando mais nada pudesse ser feito pela vida da mulher.
“Do meu ponto de vista pessoal, respondendo à minha consciência, me sentiria responsável por uma omissão de socorro a uma pessoa cuja vida corre perigo”, disse o chefe do Executivo italiano após a aprovação do decreto lei.
Eluana é uma pessoa “que hipoteticamente até poderia ter um filho e que se encontra num estado vegetativo reversível como vimos mais de uma vez”, declarou. EFE