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Atentado mais violento desde 2017 em Damasco deixa 14 mortos

O atentado não foi reivindicado, mas as forças governamentais bombardearam uma hora depois a província de Idlib, grande reduto jihadista

Ao menos 14 pessoas morreram em um atentado contra um ônibus militar em Damasco, onde não acontecia um ataque tão violento há quatro anos, e uma hora depois 13 pessoas morreram em um bombardeio do governo sírio contra zonas rebeldes.

Até o momento, o atentado não foi reivindicado, mas as forças governamentais bombardearam uma hora depois a província de Idlib, o último grande reduto jihadista e rebelde da região noroeste do país, uma ação que deixou pelo menos 13 mortos, a maioria civis.

Às 6H45 (0H45 de Brasília), um ônibus militar que circulava perto de uma ponte estratégica da capital “foi alvo de um ataque terrorista com dois dispositivos explosivos fixados ao veículo, o que provocou as mortes de 14 pessoas e deixou vários feridos”, informou a agência estatal SANA.

Uma fonte militar citada pela SANA explicou que o veículo estava com dois artefatos explosivos enganchados e que um terceiro dispositivo “caiu do ônibus após a explosão e foi desmantelado”.

As imagens divulgadas pela agência síria mostram as equipes de emergência inspecionando o ônibus destruído.

A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que tem uma ampla rede de fontes no país, informou que todos os mortos são militares.

A guerra na Síria, que começou em 2011 como resultado da repressão violenta às manifestações pró-democracia, perdeu intensidade nos últimos anos e os ataques deste tipo são cada vez mais raros, especialmente em Damasco.

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O atentado é o mais violento na cidade desde o ataque executado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) contra o Palácio de Justiça em março de 2017, que deixou pelo menos 30 mortos.

Bombardeio em Idlib

Quase uma hora depois do atentado em Damasco, o exército bombardeou o reduto rebelde de Idlib e matou 13 pessoas – incluindo 10 civis – e um combatente, informou o OSDH. Uma mulher e três crianças morreram no ataque, segundo a ONG, que citou ainda 26 feridos.

Este é um dos ataques mais violentos desde a entrada em vigor de uma trégua em Idlib, em março de 2020, mediada por Rússia e Turquia, os dois principais atores estrangeiros no conflito sírio.

“Às 8 da manhã, acordamos com os bombardeios. As crianças ficaram aterrorizadas e gritavam, não sabíamos o que fazer nem para onde ir”, declarou à AFP Bilal Trissi, pai de duas crianças e que mora perto do local atacado.

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“Bombardearam o nosso bairro, o mercado. Crianças morreram. Não sabemos por quê, de que somos culpados?”, questionou.

Ao mesmo tempo, seis combatentes da principal milícia pró-regime, as Forças de Defesa Nacional, morreram e sete ficaram feridos em uma explosão em um depósito de munição da província de Hama, região central do país, segundo o OSDH. As circunstâncias do incidente não estão claras.

Reconquista do regime

Os dois ataques abalam as mensagens do governo de que os 10 anos de guerra no país ficaram para trás e a estabilidade está garantida para iniciar o mais rápido possível os projetos de reconstrução e investimento.

O regime do presidente Bashar al-Assad se esforça para sair do isolamento internacional e registrou alguns progressos recentemente.

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Apoiado ainda pelo Irã e por milícias aliadas, o exército recuperou quase todas as principais cidades da Síria.

Mas o país continua fragmentado. Os curdos, apoiados pelos Estados Unidos, controlam o nordeste do país, enquanto outras áreas do norte permanecem sob controle dos jihadistas e dos rebeldes, ou de forças turcas.

O “califado” autoproclamado pelo grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e Síria chegou ao fim. Os dois países anunciaram a vitória contra os jihadistas no fim de 2017 e em 2019, respectivamente.

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A guerra na Síria provocou quase meio milhão de mortes, segundo o OSDH, o que obrigou metade da população de antes da guerra a abandonar suas casas.

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© Agence France-Presse








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