As ações dos países-membros da Otan que participam da operação militar contra o regime de Muammar Kadafi excedem os marcos da resolução do Conselho de Segurança da ONU, afirmou nesta segunda-feira o embaixador russo perante a Aliança Atlântica, Dmitri Rogozin.
“Acredito que os ataques contra instalações que não são relacionadas com a aviação saem dos objetivos assinalados e não correspondem com a resolução do Conselho de Segurança”, disse Rogozin em declarações à agência “Interfax”.
O embaixador indicou que a Otan impôs um regime de alta confidencialidade a toda informação referente à operação militar na Líbia.
“Isto se explica com o fato de que entre os aliados não existe unanimidade sobre como cumprir a resolução do Conselho de Segurança”, acrescentou.
Na véspera, Rússia pediu aos países participantes da operação militar na Líbia a encerrarem os ataques não seletivos.
“Segundo as informações, nas incursões aéreas sobre a Líbia se realizaram ataques contra alvos não militares nas cidades de Trípoli, Tarhuna, Maamura e Jmeil”, denunciou o porta-voz da Chancelaria russa, Aleksandr Lukashévich.
O porta-voz acrescentou que Moscou lamenta que “como consequência, segundo assinalam os relatórios, morreram 48 civis e mais de 150 ficaram feridos” e que “o centro médico de cardiologia ficou parcialmente destruído enquanto ruas e pontes foram afetadas”.
Lukashévich ressaltou que a Rússia considera inadmissível que se use a resolução 1973 do Conselho de Segurança para “alcançar objetivos que se distanciam claramente do marco de sua disposição, que contempla unicamente medidas para a proteção da população civil”.