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Associação Nacional de Rifles realiza convenção no Texas, onde massacre matou 21 pessoas

A Associação Nacional de Rifles (NRA) realiza sua convenção anual no Texas, dias depois adolescente matar 19 crianças e duas professoras em uma escola

.Escola no Texas onde ocorreu massacre. Foto: CHANDAN KHANNA / AFP

A Associação Nacional de Rifles (NRA) dos Estados Unidos realiza neste sexta-feira (27) sua convenção anual no Texas, dias depois que um adolescente matou 19 crianças e duas professoras em uma escola.

O encontro acontecerá em Houston, a 450 quilômetros da escola de ensino fundamental da pequena cidade de Uvalde, onde Salvador Ramos, de 18 anos, usou um fuzil de assalto para realizar na terça-feira o pior massacre em uma década no país.

O ex-presidente Donald Trump confirmou na quarta que participará da convenção da NRA.

Os Estados Unidos “precisam de soluções reais e uma liderança real nesse momento, não política e considerações partidárias”, comentou.

Em um comunicado em seu site, a NRA – que tem sido fundamental para impedir a aprovação de regulamentos mais rígidos sobre a compra e posse de armas – declarou que o massacre de Uvalde foi “o ato de um criminoso solitário e transtornado”. 

Já a polícia do Texas enfrentou críticas furiosas na quinta-feira, acusada de demorar muito para intervir na escola.

Segundo vídeos e vários testemunhos, os pais aguardavam desesperados na terça-feira para que a polícia agisse, enquanto Ramos executava uma carnificina em uma sala de aula.

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Diante da enxurrada de perguntas sobre a ação da polícia, Victor Escalón, do Departamento de Segurança Pública do Texas (DPS), disse durante coletiva de imprensa que os investigadores ainda trabalhavam para reconstituir o que ocorreu exatamente.

Depois de atirar na própria avó, Escalón explicou que Ramos bateu com seu carro perto da escola, atirou nos pedestres e em seguida entrou no centro de ensino por uma porta que aparentemente não estava trancada.

A polícia entrou minutos depois, mas recuou por causa dos tiros e pediu reforços. Uma equipe tática com agentes da Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos entrou e matou o atirador “aproximadamente uma hora depois”, segundo o chefe de polícia.

Enquanto isso, policiais retiraram professores e alunos e tentaram sem sucesso negociar com o atirador, que os deteve com disparos.

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Escalón também refutou relatos anteriores de que o atirador teria sido confrontado por um funcionário escolar e disse que não havia nenhum agente armado no local quando o ataque começou.

Em um vídeo publicado nas redes sociais e obtido por Storyful, pode-se ver os pais frustrados, instando a polícia a entrar no estabelecimento. As imagens também mostram um agente empurrando violentamente uma das pessoas para fora do estabelecimento.

Daniel Myers, pastor de 72 anos, contou à AFP ter chegado com sua esposa, Matilda, em frente à escola 30 minutos depois de Ramos entrar.

Os pais “estavam prontos para entrar. Um disse: ‘Estive no exército, só me dê uma arma. Não vou hesitar. Vou entrar'”, contou.

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“Os agentes responderam em minutos”, assegurou o chefe da polícia de Uvalde, Daniel Rodríguez.

Enterros

Além dos 21 mortos, 17 pessoas ficaram feridas na terça-feira, incluindo três policiais.

Eulalio Díaz, um funcionário local, se encarregou de identificar os corpos até altas horas da noite, relatou ao jornal El Paso Times. “Algumas crianças estavam em mau estado”, disse. 

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O marido de uma professora da quarta série que morreu protegendo os alunos faleceu nesta quinta-feira, aparentemente de um ataque cardíaco, anunciaram seus familiares. O casal deixa quatro filhos.

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A tragédia abalou Uvalde, cidade de 16.000 habitantes entre a cidade de San Antonio e a fronteira com o México, predominantemente latina.

A Casa Branca anunciou que o presidente Joe Biden e sua esposa, Jill, viajarão no domingo a Uvalde para “acompanhar o luto da comunidade”.

Meghan Markle, esposa do príncipe Harry, que mora com o marido e os dois filhos na Califórnia, esteve nesta quinta no local para dar suas condolências. A visita foi a título pessoal, disse um assessor.

Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, o governador do Texas, Greg Abbott, revelou que o assassino estava armado com um fuzil de assalto AR-15.

Nesta quinta-feira, a empresa Daniel Defense, fabricante deste armamento, anunciou que não irá à grande convenção anual da NRA.

A mãe do atirador, Adriana Reyes, disse à ABC que seu filho não era “um monstro”, mas que às vezes podia “ser agressivo”.

Nos Estados Unidos, os ataques a tiros nas escolas são um flagelo recorrente que os sucessivos governos até agora não foram capazes de deter.

O debate sobre a regulação das armas está quase suspenso, diante da falta de esperança de que o Congresso aprove uma ambiciosa lei federal sobre o tema. 

O movimento “Marcha por nossas vidas”, criado após o ataque a tiros em Parkland em 2018, convocou uma grande manifestação para 11 de junho em Washington para pedir regulações mais restritas para as armas.
AFP








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