Menu
Mundo

Ano de 2026 deve superar 1,5°C de aquecimento e ser o segundo mais quente da história

As conclusões foram divulgadas nesta sexta-feira (6) pelo serviço Copernicus, da União Europeia, que monitora a mudança climática, às vésperas da abertura da COP31, em Antália, na Turquia

Redação Jornal de Brasília

06/11/2026 9h20

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS)

O ano de 2026 caminha para ser o segundo mais quente da história e também o segundo com média de aquecimento superior a 1,5°C. Há ainda 20% de chance de igualar ou mesmo superar 2024, até aqui o ano mais quente já registrado.

As conclusões foram divulgadas nesta sexta-feira (6) pelo serviço Copernicus, da União Europeia, que monitora a mudança climática, às vésperas da abertura da COP31, em Antália, na Turquia. A conferência do clima, que acontece à sombra do “overshoot”, uma trajetória de aquecimento acima do limiar estabelecido pelo Acordo de Paris, em 2015, tem agora mais um número para atestar a crise planetária.

Outubro de 2026 foi o mês mais quente da história, com uma temperatura global média de 1,75°C acima dos níveis pré-industriais. É o terceiro mês consecutivo que os termômetros apontam um aquecimento superior a 1,5°C.

A temperatura média da superfície dos oceanos (SST, na sigla em inglês), fora das regiões polares, atingiu 20,95°C, a maior marca para um mês de outubro, superando o recorde anterior, estabelecido em 2023.

No Pacífico, na região em que é monitorado o El Niño, o aquecimento chegou a 3,21°C, superando as marcas registradas em outras edições do fenômeno climático.

“Outubro manteve o padrão de aquecimento notável. Um El Niño excepcionalmente forte está adicionando calor em um clima já aquecido pela atividade humana”, declarou Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês).

“É significativo que a média de quatro anos também caminhe para exceder o 1,5°C, comprovando como esse período de aquecimento se tornou sustentável.”

Em termos estatísticos, é “virtualmente certo” (99% de chance de acontecer) que a média de 2026 supere esse patamar, conforme os modelos usados pelo Copernicus a partir do ERA5, um conjunto de dados com décadas de registros. Neste momento, a marca prevista para o ano deve oscilar entre 1,56°C e 1,61°C.

Segundo o ECMWF, a chance de 2026 ser o segundo ano mais quente da história está na casa de 80%.

O aquecimento global, mostram evidências científicas, é provocado pelas emissões de gases de efeito estufa geradas sobretudo pela queima de combustíveis fósseis. Em Antália, a Turquia, que divide a presidência da COP31 com a Austrália, lidera uma proposta de acelerar a eletrificação para 35% da matriz energética global até 2035 —o patamar atual ronda os 20%.

Ambientalistas pressionam para que a proposta esteja condicionada ao uso de fontes renováveis.

Segundo a ONU, o corte de emissões precisa ser da ordem de 6% ao ano até 2035 para que o mundo tenha chance de contornar o “overshoot” e voltar à marca de 1,5°C até 2100.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado