O enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, reuniu-se neste sábado em Damasco com o presidente sírio, Bashar al-Assad, para tentar estabelecer as bases de um diálogo com a oposição.
Durante o encontro com Annan, o líder sírio afirmou que “nenhum diálogo político pode ter êxito enquanto houver grupos terroristas armados que propagam o caos”, informou a agência de notícias oficial do país, “Sana”.
Apesar da postura reticente de Assad, uma fonte da Presidência síria disse à televisão oficial do país que a reunião ocorreu em meio a um “ambiente positivo”.
Após o encontro com Assad, Annan teve um almoço de trabalho com o ministro das Relações Exteriores do regime sírio, Walid al-Mouallem, em um restaurante da parte antiga de Damasco, revelaram à Agência Efe fontes diplomáticas.
Ex-secretário-geral da ONU, Annan tem como missão promover o diálogo entre as autoridades sírias e a oposição para encontrar uma saída negociada à crise político-social que começou há um ano com protestos populares pacíficos e se agravou nos meses seguintes com a mobilização armada da população.
No entanto, a oposição síria rejeita negociar com o regime Assad, pois considera que um diálogo só daria mais tempo às autoridades para continuar com a repressão dos protestos.
O ex-secretário-geral da ONU também prevê reuniões com representantes da sociedade civil. O opositor Abdul-Aziz al-Khair, membro do órgão executivo da chamada “oposição interna” – o Conselho de Coordenação Nacional – anunciou que se reunirá com Annan ainda neste sábado.
As fontes diplomáticas disseram também que o enviado da ONU e da Liga Árabe seguirá para a Turquia assim que encerrar sua visita à Síria, neste domingo.
Antes de viajar à Síria, Annan fez uma escala de três dias no Cairo, onde se reuniu com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil el-Araby, e com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Mohamed Amr.
Na quinta-feira, Annan enfatizou a necessidade de manter a via diplomática e alertou sobre as consequências de uma hipotética intervenção militar na Síria que, em sua opinião, só pioraria a situação. “Acho que qualquer aumento das operações militares causaria uma deterioração da situação e a pioraria”.
Enquanto Annan visita a Síria, os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe se reúnem neste sábado no Cairo com o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, cujo país permanece reticente a condenar o regime Assad pela repressão interna devido à tradicional aliança Moscou-Damasco.