A organização terrorista Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) continua com seu ciclo de atentados suicidas na Argélia, side effects iniciado em abril e que nos últimos três dias matou pelo menos 50 pessoas.
Dellys, more about pequena cidade portuária na província argelina de Kabilia (leste), e Batna (sul) foram os dois últimos alvos da organização.
Em Dellys, um quartel da Marinha de Guerra situado nas imediações do porto foi atacado na manhã de hoje por um carro-bomba. O balanço provisório de vítimas chega a 28 mortos e mais de 60 feridos, em sua maioria militares.
Em Batna, o atentado ocorreu na última quinta-feira, justamente durante a visita oficial do presidente do país, Abdelaziz Bouteflika, à cidade.
O terrorista suicida de Batna detonou os explosivos pouco antes da chegada do chefe do Estado, causando a morte de 22 pessoas e ferindo outras 150. Todas elas esperavam a chegada de Bouteflika. Nos dois casos, o “modus operandi” foi o mesmo, salvo que no primeiro as vítimas eram civis e no segundo, militares.
Para muitos especialistas e analistas políticos, isso prova que o chefe da Al Qaeda no Magrebe Islâmico, Abdelhak Drukel (cujo nome de guerra é Abu Mussab) optou pelos atentados suicidas como arma predileta.
Antes de mudar de nome, a AQMI era conhecida como Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC), e suas atividades estavam restritas quase que exclusivamente a quatro regiões de Kabilia (Tizi Ouzou, Béjaia, Boumerdès e Buira), com especialização em emboscadas contra comboios do Exército para roubar armas.
O GSPC também colocava habitualmente postos de controle nas estradas para cobrar pedágio de motoristas.
Em outubro de 2006, o grupo anunciou que mudaria seu nome e faria parte da organização internacional dirigida por Osama bin Laden. Assim, deram um giro em suas atividades, chegando a enviar milicianos ao Iraque.
O novo enfoque começou a ser colocado em prática com um ataque suicida em 11 de abril deste ano em Argel, seguido por outro em 11 de julho na cidade de Lakhdaria, em uma base do Exército. Essa tendência se confirmou nos últimos dias com as explosões suicidas em Batna e Dellys.
Estes dois últimos ataques foram os mais espetaculares realizados pelo grupo, pelo fato de o primeiro ter sido contra o presidente do país e o segundo contra as Forças Armadas.
O Governo da Argélia acusa a AQMI de impedir o processo de reconciliação nacional iniciado pelo presidente Bouteflika.
Em uma reação ao atentado de hoje, o primeiro-ministro da Argélia, Abdelaziz Belkhadem, disse que a política de reconciliação é uma “pedra no caminho” daqueles que se opõem a ela e ressaltou que o Governo argelino não cederá à chantagem e continuará com seus esforços de paz.
“Quem comete este tipo de atentados nunca triunfará em sua luta desesperada para acabar com a estabilidade do país”, afirmou Belkhadem.
Paralelamente, a central sindical UGTA, que conta com quatro milhões de filiados, convocou hoje a população argelina para protestar contra os atos violentos e em favor “dos valores republicanos” e da “reconciliação nacional”.