Com pouco mais de 1,60m, educado e atento, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, conseguiu impressionar seus interlocutores brasileiros. Ontem (13), ao se reunir com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e mais quatro integrantes da comitiva brasileira, Ahmadinejad deixou claro que tem estilo próprio. Ao receber os brasileiros, fez uma rápida e silenciosa oração e, ao final, disse: “Que Deus proteja esta reunião”.
Apesar de simpático à comitiva, Ahmadinejad demonstrou que é um homem de poucos sorrisos. Ele elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por pelo menos três vezes e, em todas as ocasiões, referiu-se ao chefe do governo brasileiro como sendo seu amigo e “fiel companheiro”. Segundo interlocutores, Ahmadinejad disse admirar o presidente Lula.
No dia 15 de maio, Lula estará em Teerã, capital iraniana, onde pretende assinar uma série de acordos bilaterais, inclusive de parceria comercial.
No encontro de ontem, Ahmadinejad quis saber quem era cada integrante do grupo que estava ali. Ao ser apresentado aos brasileiros, ele perguntava algo pessoal para cada um. O presidente ficou particularmente interessado no trabalho desenvolvido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), cujo presidente, Armando Mariante, também participou do encontro.
Também participaram do encontro o embaixador do Brasil no Irã, Antônio Luís Salgado, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Reginaldo Braga Arcuri, e o gerente da Divisão de Crédito e Exportação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), Guilherme Pfisterer.
O presidente do Irã destacou a necessidade de parceria com o Brasil. Sem citar os Estados Unidos, nem a pressão do governo norte-americano para intensificar o embargo ao Irã, Ahmadinejad apenas mencionou as dificuldades enfrentadas pela economia de seu país em decorrência de tais restrições.
Ele recebeu de presente do ministro Miguel Jorge uma camisa oficial da seleção brasileira e um livro sobre a vida do ex-jogador Pelé, autografado pelo próprio atleta. Apaixonado por futebol, o presidente iraniano disse que vai a torcer pela vitória do Brasil na Copa do Mundo na África do Sul.
No início da noite de ontem, a comitiva brasileira, composta por 86 empresários, deixou Teerã e seguiu para o Cairo, capital do Egito. O objetivo é realizar mais uma rodada de reuniões com comerciantes locais para ampliar as relações Brasil e Egito. Apenas no ano passado, as exportações brasileiras para o Egito somaram US$ 1,305 bilhão, com um aumento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as vendas atingiram US$ 1,260 bilhão.