O suspeito de matar uma pessoa e ferir outras cinco na sexta-feira em um “atentado terrorista racista” nos arredores de Paris deixou a prisão preventiva e foi transferido para uma unidade psiquiátrica, anunciou neste domingo (25) a Procuradoria Nacional Antiterrorismo (Pnat).
A detenção do autor do “atentado terrorista racista” de sexta-feira (23), que deixou um morto e cinco feridos nas imediações de Paris, foi suspensa por motivos psiquiátricos, anunciou neste domingo (25) a Procuradoria Nacional Antiterrorismo (Pnat).
“Após um exame psiquiátrico de Kévin T. realizado na noite de sábado, a prisão preventiva foi revogada”, explicou a Pnat. “De acordo com as conclusões do perito psiquiatra, o interessado foi transferido para a ala psiquiátrica da Prefeitura de Polícia (em Paris) para passar por um período de observação psiquiátrica que pode durar 48 horas”, acrescentou.
A internação permitirá avaliar “se o estado de saúde psiquiátrica é compatível com a possibilidade de prosseguir com seus interrogatórios”.
No ataque, classificado como um “atentado terrorista racista” pelo presidente Emmanuel Macron, morreu Pengo Bossio Wangi, um francês de 26 anos de origem congolesa. Uma das cinco pessoas que ficaram feridas é uma menina de 12 anos que levou oito tiros e continua em estado crítico.
A Procuradoria informou neste domingo que a análise toxicológica realizada em Kévin T., de 39 anos, revelou “a presença de maconha e cocaína em seu sangue”.
Além disso, o suspeito havia sido diagnosticado com esquizofrenia e seguia um tratamento médico, indicou à AFP uma fonte próxima da investigação.
Yassine Bouzrou, advogado da família do falecido, declarou que está surpreso com a decisão e apontou que parece haver uma recorrência preocupante: quando o atentado procede da extrema direita, a questão psiquiátrica se impõe muito rapidamente.
O advogado ressaltou que, embora a perícia psiquiátrica e a irresponsabilidade penal “sejam princípios fundamentais” do ordenamento jurídico, “a simetria deve ser a regra: mesmas perícias, mesmos prazos de avaliação, seja qual for o perfil ideológico do acusado”.
As autoridades confirmaram a prisão preventiva de quatro pessoas de seu entorno, incluindo os pais do autor do atentado, informou à AFP uma fonte próxima ao caso.
Na manhã de sexta-feira, Kevin T. abriu fogo a partir de seu carro com uma arma automática contra várias pessoas em Trappes e La Verrière, ao sudoeste de Paris.
O agressor tinha antecedentes, mas não estava sendo monitorado pelos serviços de inteligência e, quando foi detido, portava uma pistola-metralhadora e gás lacrimogêneo, segundo fontes policiais.
Além disso, havia instalado “três botijões de gás e chaves elétricas conectadas a um temporizador” em sua residência na cidade de Plaisir, com a intenção de explodir o imóvel, indicou uma fonte próxima ao caso.
Durante a busca em seu apartamento, os investigadores encontraram um exemplar do livro “Mein Kampf” (Minha luta), escrito pelo ditador nazista Adolf Hitler, assim como uma Bíblia e um Alcorão, acrescentou.
AFP