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Secretário-geral da OCDE diz que Brasil já é parte da família e que não vê ameaças à democracia

Questionado sobre as ameaças à democracia brasileira, afirmou que todos os países têm algum tipo de imperfeição nessa questão

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Eduardo Cucolo
São Paulo, SP

Apesar da falta de perspectiva de que o Brasil seja admitido como membro da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o secretário-geral da instituição, Angel Gurría, afirmou que o país já pode ser considerado como parte da família.

Questionado sobre as ameaças à democracia brasileira, afirmou que todos os países têm algum tipo de imperfeição nessa questão e que a situação do Brasil não preocupa a organização. “A maior vantagem do Brasil é que é reconhecido como uma enorme democracia. Isso não se discute. A qualidade da democracia não é um fator que esteja [influenciando] no processo de acesso do Brasil”, afirmou durante evento realizado pelo Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo), entidade na qual o mexicano atuará como pesquisador após deixar a OCDE, em junho.

Já ao falar de meio ambiente, Gurría disse que as autoridades que não demonstram preocupação com o planeta correm o risco de não se reelegerem. O Brasil hoje é um dos seis países em processo avançado de adesão ao bloco, junto com Argentina, Peru, Bulgária, Romênia e Croácia.

Para Gurría, o Brasil já pode se considerar uma espécie de primo de primeiro grau nessa família ou alguém que já está na cozinha da organização, ao participar de diversos comitês e grupos de trabalho e ter um representante (o embaixador Márcio Cozendey) que obriga a instituição a trabalhar pelo país.

Sobre as questões ambientais, que têm freado o avanço do Brasil no seu pleito de aderir ao bloco, Gurría afirmou que a questão intergeracional mais importante da atualidade é a proteção do planeta.

Ele também comemorou a mudança de postura dos EUA em relação ao tema e disse que governos que seguirem outro caminho podem não se reeleger. “As autoridades que não focam na questão ambiental estão correndo um grande perigo.”

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A menos de 30 dias de deixar o cargo que ocupa há 15 anos, o secretário-geral da OCDE também afirmou que a reinserção das pessoas no mercado de trabalho no pós-pandemia é um desafio maior do que a recuperação do emprego após a crise de 2008/2009.

Gurría afirmou que a pandemia acelerou a digitalização da economia, mas que somente 55% da força de trabalho mundial tem capacidade de trabalhar com boa competência em um ambiente tecnológico. “O problema é muito mais sério, muito mais social, mais político [do que em 2008]. É muito mais difícil a reinserção. Temos de ter uma política muito agressiva de requalificação. Não é somente educação, mas de muita educação e coordenação, com sindicatos, empresas e também governo, para dividir o custo”, afirmou Gurría.

Segundo o secretário-geral, não se trata de transformar todos os trabalhadores em “experts digitais”, mas em se adaptar a um mundo em que a produtividade e todas as habilidades e competência exigirão algum tipo de conhecimento digital.

Os países em que estão a maioria dos trabalhadores são os mais atrasados do mundo em relação a habilidades digitais e acesso à internet. Por isso, terão de investir nesse tipo de conhecimento e precisarão da ajuda dos países avançados não apenas para construir escolas, mas para preparar esses estabelecimentos para a formação desse novo tipo de profissional.

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“A brecha digital, o ‘gap’, a diferença entre as capacidades digitais vai crescer, e isso vai criar grandes diferenças econômicas e sociais. Grandes diferenças políticas e também explosões políticas. A questão de acesso à informação, à internet e também de acesso a conhecimentos digitais não é uma questão optativa, é obrigatória”, afirmou.

As informações são da Folhapress






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