Os preços do petróleo caíram acentuadamente nesta segunda-feira (2) diante das novas expectativas dos investidores de uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito no Oriente Médio.
O preço do barril do petróleo Brent do Mar do Norte para entrega em janeiro – que passa a ser utilizado a partir desta segunda-feira como contrato de referência – recuou 7,64%, para US$ 104,77.
Seu equivalente americano, o barril do West Texas Intermediate (WTI) para entrega em dezembro, caiu 7,36%, para US$ 96,46.
As posições dos Estados Unidos e do Irã continuam muito distantes, mas, segundo Teerã, estão sendo realizadas consultas “intensas” para evitar a retomada das hostilidades.
A República Islâmica reafirmou sua disposição de reabrir o estratégico Estreito de Ormuz – epicentro do conflito – em um prazo de dois dias, em vez dos sete inicialmente previstos, desde que determinadas condições sejam cumpridas.
“Estamos testemunhando uma mudança brusca no sentimento do mercado”, comentou à AFP John Kilduff, analista da Again Capital.
“Passamos de uma preparação para uma grande ofensiva após as eleições legislativas americanas para a possibilidade de um avanço diplomático”, acrescentou.
Segundo uma reportagem publicada no domingo pelo site Axios, durante uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria manifestado o desejo de permitir que as negociações sigam seu curso, em vez de atacar o Irã imediatamente após as eleições de meio de mandato desta terça-feira.
No entanto, “os sinais diplomáticos podem ter um caráter tático”, justamente devido à proximidade das eleições, observou Arne Lohmann Rasmussen, analista da Global Risk Management.
“A guerra é impopular nos Estados Unidos, sobretudo devido ao forte aumento dos preços dos combustíveis, e Trump tem interesse político em sugerir que o fim do conflito é possível”, acrescentou.
O analista lembrou que o Axios já havia divulgado informações que apontavam para avanços diplomáticos iminentes, mas que não se traduziram em acordos concretos.
Paralelamente, “o tráfego marítimo na região continua sob a ameaça do Irã e dos houthis iemenitas, aliados de Teerã”, afirmou David Morrison, analista da corretora Trade Nation.
Os houthis afirmaram nesta segunda-feira ter atacado o aeroporto saudita de Dammam, enquanto o Ministério da Saúde houthi informou que sete civis ficaram feridos em bombardeios da coalizão liderada pela Arábia Saudita contra o porto de Hodeida e uma companhia petrolífera.
AFP