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Economia

PF indicia ex-dono da Reag por suspeita de lavagem de dinheiro de Beto Louco

PF aponta que empresário contribuiu para inserir no sistema financeiro nacional dinheiro oriundo de sonegação fiscal relacionado ao grupo econômico ligado a Beto Louco

Redação Jornal de Brasília

30/09/2026 18h32

PF indicia ex-dono da Reag

Foto: Reprodução

JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS

O empresário João Carlos Mansur, que era dono da Reag, foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e de participação em organização criminosa em inquérito sobre irregularidades tributárias no setor de combustíveis relacionadas a Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.

A apuração é relativa à Operação Quasar, da PF de São Paulo, que tem relação com os fatos apurados na Carbono Oculto. Beto Louco, que é considerado foragido desde o ano passado, não era alvo de investigação nesse inquérito.

Procurado, o advogado de Mansur, Aloisio Medeiros, informou que a defesa não iria se pronunciar. Além do ex-dono da Reag, outras 12 pessoas também foram indiciadas. Procurada por volta das 18h por WhatsApp, a defesa de Beto Louco disse que não comentaria o assunto.

A PF aponta, no relatório que levou ao indiciamento de Mansur, que ele contribuiu para inserir no sistema financeiro nacional dinheiro oriundo de sonegação fiscal relacionado ao grupo econômico ligado a Beto Louco.

Isso aconteceu por meio do uso de uma estrutura de contas e de fundos de investimento.

A Reag era uma das maiores gestoras independentes -ou seja, sem ligação com um único banco- do país.

Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da empresa em setembro de 2025 para tentar conter a crise após a deflagração da Carbono Oculto, que apurou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em atividades da economia formal. A Reag era um dos principais alvos, acusada de ter hospedado recursos provenientes do crime em fundos sob sua gestão.

Em janeiro deste ano, o empresário foi alvo de buscas na segunda fase da operação Compliance Zero, que trata dos escândalos relacionados ao Banco Master. Ele não chegou a ser preso, nem está detido.

O empresário fechou um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) em que afirma que fundos de investimentos geridos pela empresa serviram para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas.

Na delação, ele também relata irregularidades relacionadas aos fatos apurados em São Paulo. O empresário ainda aguarda que a delação seja validada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

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