SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O preço do petróleo caiu quase 4% nesta quinta-feira (4) após o governo dos EUA divulgarem que houve um acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano nessa quarta-feira (3). Porém o pacto não foi respeitado, já que ocorreram ataques israelenses ao sul do Líbano, com o governo do premiê Benjamin Netanyahu afirmando que se reserva o direito de bombardear Beirute.
O barril Brent, referência mundial, chegou a ser negociado a US$ 93,97 (R$ 476,06), por volta das 9h (horário de Brasília), queda de 3,93& em relação ao dia anterior.
Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era cotado a US$ 92,81 (R$ 470,18), desvalorização de 3,34%.
O governo Trump divulgou o cessar-fogo entre libaneses e israelenses na quarta-feira, mas horas depois foram registrados bombardeios no sul do Líbano. Os ataques afetam as negociações entre EUA e Irã, que exige a cessação das hostilidades no Líbano como pré-requisito para um acordo que ponha fim à guerra regional que eclodiu em 28 de fevereiro.
Até o momento, o grupo xiita pró-Irã Hezbollah não reagiu ao acordo anunciado ao final das negociações mediadas pelos EUA entre o Líbano e Israel, países que não mantêm relações diplomáticas.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira que o acordo de trégua dá ao seu exército a “liberdade” de atacar Beirute caso o Hezbollah ataque comunidades em Israel e reiterou que as operações no sul do Líbano continuarão.
O exército israelense renovou nesta quinta-feira a ordem de evacuação de toda a área ao sul do rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira, enquanto as tropas “continuam atacando” o que dizem ser a infraestrutura do Hezbollah naquele setor.
O acordo de cessar-fogo anunciado pelo governo Trump estava condicionado à “cessação completa” dos bombardeios do Hezbollah e à “evacuação” de todos os membros do movimento da área ao sul do rio Litani, a cerca de 30 km da fronteira com Israel. Segundo Katz, o pacto prevê a criação de uma “zona desmilitarizada”.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, da extrema direita, criticou o acordo divulgado na quarta, chamando-o de “grave erro”. Mahmud Qomati, um alto funcionário do Hezbollah, havia declarado na terça-feira que seu grupo, que rejeita as negociações em Washington, “não aceitaria um cessar-fogo parcial” com Israel.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, alertou na quarta-feira que qualquer ataque à capital libanesa desencadearia “uma retomada em larga escala da guerra” na região.
Além de Teerã condicionar um acordo ao fim dos combates no Líbano, o país também quer acesso a bilhões de dólares em receitas do petróleo, isenções das sanções sobre as exportações de petróleo bruto, o levantamento do bloqueio dos EUA aos seus portos e a manutenção de influência sobre o estreito de Hormuz.
Trump, que está sob pressão para reduzir os preços dos combustíveis, afirmou que sua principal prioridade é impedir que o Irã adquira armas nucleares. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Em uma entrevista em podcast divulgada na quarta-feira, Trump disse que o Irã havia concordado em não possuir armas nucleares e que o líder supremo iraniano estava envolvido nas negociações.
Mais tarde, na quarta-feira, Trump sugeriu que poderia haver progresso nas negociações com o Irã já neste fim de semana. “Se acontecer, pode acontecer no fim de semana”, afirmou o republicano sem detalhar o que ele esperava que acontecesse dentro desse prazo.