Felipe Trigueiro
A crise econômica mundial parece não ter chegado ao mercado de Tecnologia da Informação. Durante o Oracle Open World, ed realizado em São Paulo, os principais empresários do setor se mostraram otimistas com os grandes investimentos para 2009. Um estudo revelou que o crescimento dos gastos com TI, em nível mundial, chegará a 2.6%. Nos Estados Unidos, a projeção é de 0.9%, enquanto na América Latina, de 7,8%.
Uma pesquisa realizada pela International Data Corporation (IDC Brasil) mostra um cenário menos otimista, mas não de total pessimismo para o mercado de TI. O número de empresas que acredita no aumento de investimentos chega a 23%. Outras 46% consideram que os negócios permanecerão estáveis. Em contrapartida, 32% das companhias crêem que os aportes em 2009 serão inferiores.
Para o presidente da Oracle Brasil, Silvio Genesini, a empresa, que lidera o mercado de softwares de negócios no mundo, passa por um momento excepcional. “É a primeira vez na história que o Brasil e a América Latina passam por uma crise econômica melhor do que os países desenvolvidos”, afirmou.
Genesini destacou que os setores de construção civil, agronegócios e indústria automobilística já se recuperaram. Por outro lado, as áreas de telecomunicações, varejo e, por incrível que pareça, as instituições financeiras aumentaram os gastos com TI. O vice-presidente da Oracle América Latina, Luiz Meisler, também analisa o momento como uma grande oportunidade de negócio. “A Oracle está bastante preparada para isso. Proibimos a palavra crise aqui”, ressaltou.
Exterior
Para o presidente da IBM na América Latina, Rogério Oliveira, a crise chegou economicamente, socialmente e tecnologicamente. Na Rússia, por exemplo, a venda de tecnologia parou. “Aquela frase da ‘marolinha’ que viria ao Brasil – se referindo a declaração do presidente da República – não funcionou, pois o mundo está conectado. No entanto, isso abre novas oportunidades para o mercado. Estima-se que circulem 200 bilhões de e-mails de negócios por dia”, ressaltou.
Já nos Estados Unidos, os investimentos no setor ainda continuam incertos. Para o responsável pela área de desenvolvimento dos produtos Oracle, Charles Rozwat, há uma grande incerteza devido à troca de governo. “Os gastos com TI ainda são dúvida por lá. Mesmo assim, acredito que haverá muitos investimentos, principalmente na área da construção civil”, diz.
De acordo com o estudo da IDC para 2009, os segmentos mais afetados com a crise devem ser o de hardware de consumo, como PCs, impressoras e câmeras digitais, no quais os investimentos são mais voláteis e dependem diretamente dos gastos dos consumidores. A IDC acredita que os mercados de software e serviços serão os menos afetados. A previsão é que o mercado de software na América Latina cresça 9% e o de serviços, 8,6%.
Aposta no governo
O setor público também tem investido em TI para modernizar e atender às demandas públicas, mandatos legislativos, exigências políticas e econômicas que requerem maior transparência e que sejam mais receptivos e eficientes. O software empresarial da Oracle para gestão governamental dos poderes Executivo, Judiciário e da Defesa Civil é atualmente usado por mais de 1,5 mil organizações em 16 países da América Latina.
Para o vice-presidente da empresa, Luiz Meisler, o governo representa um potencial bastante grande de compras, mas varia muito de país para país. “Nos próximos dois anos, o governo brasileiro terá um papel importantíssimo como indústria”, afirmou. A solução Oracle para o setor público melhora a eficiência em todos os níveis do governo, como a administração e rastreamento dos ingressos e recursos públicos, otimiza a logística de defesa, auxilia na segurança pública e oferece suporte à polícia contra a criminalidade.
Em ritmo frenético
Se depender do otimismo dos empresários de TI, o setor de telecomunicações não vai parar de crescer. Para se ter idéia, a cada segundo nascem quatro pessoas no mundo. No mesmo instante, 36 celulares estão sendo vendidos. O mercado de telefonia móvel registra um total de quatro bilhões de usuários.
O Brasil caminha no mesmo ritmo. Segundo o presidente da Claro, João Cox, são produzidos 95 celulares por minuto no País. “Até o final de 2010, o aparelho estará presente em mais de 100% da população, assim como já ocorre na Europa”, afirmou. O executivo lembrou que, no ano passado, a Claro conquistou 8,5 milhões de novos clientes, tornando-se a empresa que mais adicionou usuários no mundo.
Por conta disso, a operadora ampliou as plataformas de atendimento. “Recebemos 1,5 milhão de contatos por dia. Hoje, além do atendimento por telefone, há comunidades em sites de relacionamento, perfil no Second Life e fale conosco por internet e e-mail”. Cox destacou a importância das parcerias entre as companhias de Telecom e o mercado de Tecnologia da Informação. Para ele, empresas estão cada vez maiores, o que exige sistemas pesados.
Agilidade
A tecnologia adquirida pela Claro tem como objetivo dar mais agilidade no atendimento, acesso rápido a informações de múltiplos sistemas e mais rapidez na entrega de novas aplicações. Para o diretor da Communications Global Business Unit da Oracle, Arturo Pereyra, o setor de telecomunicações é muito similar em todas as partes do mundo. São os mesmos serviços oferecidos, independentemente do local onde a pessoa estiver.
“Nos Estados Unidos, as operadoras gastam US$ 1,9 bilhão com compra de softwares e quase US$ 6 bilhões com desenvolvimento”. Pereyra ainda revela que a Oracle enxerga maior potencial de venda de soluções em países emergentes localizados na Ásia e América Latina. Ainda segundo o especialista, enquanto a indústria normal gasta 4% com TI, a Telecom investe 9%.
Evento
O Oracle Open World foi realizado de 10 a 12 de março, no Transamérica ExpoCenter, em São Paulo, e considerado o maior da região voltado ao setor de TI, recebeu um público de dez mil pessoas, com 25 países sendo representados. Os participantes tiveram a oportunidade de encontrar os maiores especialistas do mundo para discutir o futuro da Tecnologia da Informação e seu impacto no mundo dos negócios.
Marcando presença pela primeira vez no Open World Latin America, a presidente da Oracle, Safra Catz, e mais de 40 grandes executivos da empresa compartilharam suas experiências com os participantes e representantes das maiores empresas de TI, como HP, IBM e Dell. O tema da conferência este ano foi Your. Open. World. Foram feitas, ainda, mais de 60 demonstrações interativas.