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Economia

Indício de petróleo acirra disputa eleitoral no Amapá, pressiona Petrobras e atrai Lula ao estado

Redação Jornal de Brasília

17/08/2026 6h47

petróleo

Foto: Reprodução/Instagram

Folhapress

A descoberta de indícios de petróleo na bacia Foz do Amazonas, em águas profundas no Amapá, anunciada na semana passada, já acirrou a briga eleitoral entre candidatos do estado, que disputam o discurso sobre os investimentos necessários para instalar uma base da Petrobras na região.

Os principais postulantes ao governo estadual querem impulsionar a exploração de óleo e gás na costa para desenvolver a economia local. Os achados da empresa na Foz do Amazonas serão expostos na campanha tanto por quem disputa eleição local, como nacional.

Como mostrou a Folha, o presidente Lula (PT), vai ao estado nesta segunda (17) visitar o navio-sonda da Petrobras e usará a descoberta recente da estatal como um trunfo eleitoral, embora ainda não esteja confirmado se há petróleo de fato na área.

O presidente fará a visita acompanhado pelo Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e pelo seu aliado no estado, o governador Clécio Luís (União Brasil), que concorre à reeleição. A expectativa de Alcolumbre é que o petista declare apoio a Clécio.

O embate eleitoral local é focado em como contornar as dificuldades logísticas do Amapá para que a Petrobras decida por instalar as bases de operações no estado e não prefira desloca-las para outro lugar na região Norte. O Amapá é o único estado brasileiro que não possui ligação por terra com o resto do país. Para levar cargas, apenas de barco ou avião, o que encarece os custos de vida e de produção.

Além disso, o Oiapoque, município mais próximo do primeiro poço perfurado, é rodeado de terras indígenas, o que também dificultaria a obtenção de licenças para a uso das áreas no local.

Outro problema logístico são as rodovias não asfaltadas. Do município de Santana, onde está o principal porto, até Oiapoque são 585 km, 120 deles em estrada de terra, que levam a dificuldades de fluxo principalmente na época de chuva. A obra, com os trechos já licitados, tem mais de 40 anos e é considerada uma das mais antigas do Brasil. Mesmo na parte asfaltada, a maioria das pontes é de madeira, o que as torna inadequadas para cargas mais pesadas.

A falta de estrutura virou alvo do principal candidato de oposição e líder nas pesquisas, o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD). Ele faz campanha com base na popularidade alcançada com uma série de obras que repaginaram a capital e com a promessa de levar “esse modelo de gestão” para o resto do Estado.

Tão logo a Petrobras anunciou a descoberta de indícios de petróleo em alto-mar, Furlan gravou um vídeo para as redes sociais para defender que as bases operacionais da estatal sejam instaladas no Amapá, o que exige a execução de mais investimentos.

“Agora, como candidato a governador, me comprometo a resolver a infraestrutura necessária”, afirmou ele na gravação.

No dia seguinte, ele se reuniu com empresários na Federação das Indústrias do Estado do Amapá e reforçou a promessa de viabilizar as obras. Também tem explorado um convênio feito com a Prefeitura de Macaé (RJ), cidade conhecida pelos volumosos royalties recebidos pela exploração de petróleo na camada do pré-sal.

No mesmo dia, à noite, o presidente do Senado visitou uma feira ao lado do governador Clécio Luís e afirmou que a exploração do petróleo já constava do plano de governo de seu aliado em 2022.

“Engenheiro de obra pronta tem muito aí mesmo, mas nós sabemos o que você fez para chegarmos até aqui”, afirmou. “Conseguimos ter essa conjunção dos astros. De termos um presidente da República que apoia o Amapá. De termos senadores que estão em locais estratégicos, e um governador que tem disposição de enfrentar temas espinhosos”, disse.

Alcolumbre foi um dos principais responsáveis por pressionar o governo Lula a liberar as licenças para estudo sobre a existência e viabilidade de exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

O presidente do Senado também articulou uma visita de Lula nesta segunda-feira ao Amapá para reforçar o discurso de soberania nacional e a promessa de desenvolvimento do Estado –que é o segundo com menor número de eleitores do país e geralmente é ignorado pelos candidatos à Presidência durante a campanha eleitoral.

Eles irão ao navio-sonda da Petrobras em alto-mar e realizarão atividades no Oiapoque. Clécio, como governador, vai participar, e a expectativa é de uma declaração de apoio de Lula a ele para a campanha.

O governador tem procurado destacar sua atuação em diversas frentes para viabilizar a exploração do petróleo, e transformou a descoberta em uma de suas principais bandeiras eleitorais. Ele tem pontuado que, além de atuar para viabilizar a licença para estudos, também negociou com a Petrobras para que a base inicial fosse instalada no Estado –a estatal preferia que isso ocorresse no Pará, pela maior estrutura oferecida.

Coordenador da bancada do Amapá em Brasília, o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT) afirma que o mais importante é concluir a BR-156, que liga Santana ao Oiapoque, obra federal administrada pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). “Esse é o maior desafio. Há uma complexidade porque tem comunidades indígenas no entorno e discussões sobre compensações a essas comunidades”, diz.

Além dos investimentos maiores, outro desafio é preparar a logística dos municípios de Oiapoque e de Calçoene (onde a Petrobras estuda instalar a base de operações). Calçoene, por exemplo, possui hoje apenas 10 mil habitantes. Os preços de imóveis na região já dispararam, mesmo antes da confirmação da viabilidade comercial do petróleo.

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