Faleceu neste domingo (16) a atriz norte-americana Hayden Panettiere, aos 36 anos. A confirmação partiu de seu pai, Skip Panettiere, por meio de um comunicado divulgado à imprensa. Nas palavras dele, a filha era “uma força da natureza” que espalhou alegria tanto às pessoas próximas quanto ao público que a acompanhou ao longo de décadas na televisão e no cinema. A família pediu respeito à privacidade neste momento.
De acordo com a polícia de Greenville, na Carolina do Sul, uma equipe médica foi acionada no início da tarde de domingo após um chamado relatando que uma mulher estava inconsciente. No local, os socorristas confirmaram o óbito da atriz. As autoridades informaram que o caso segue sob apuração conjunta com o instituto médico legal do condado, mas destacaram que, até agora, nada aponta para envolvimento de terceiros ou circunstâncias suspeitas. Segundo o relato policial, quem acionou o serviço de emergência foi uma pessoa próxima à atriz.
A assessoria de Panettiere, representada por Kasey Kitchen, confirmou que uma investigação está em curso, sem fornecer detalhes adicionais sobre as circunstâncias da morte.
Panettiere deixa uma filha, Kaya, de 11 anos, fruto de seu antigo relacionamento com o ex-boxeador ucraniano Wladimir Klitschko.
Uma carreira que começou na infância
Ainda bebê, com apenas 11 meses, Panettiere já participava de produções televisivas, e cresceu atuando em novelas como “One Life to Live” e “Guiding Light”. Na infância, ganhou notoriedade ao emprestar a voz para a personagem Dot na animação da Pixar “Vida de Inseto” (1998), trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Grammy na categoria de melhor álbum infantil falado. Também integrou o elenco do drama esportivo “Duelo de Titãs” (2000), ao lado de Denzel Washington.
O grande salto para o estrelato veio em 2006, quando assumiu o papel de Claire Bennet, jovem com poderes de regeneração, na série “Heroes”, da NBC. Anos depois, conquistou duas indicações ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante em série de TV, por sua atuação como a cantora Juliette Barnes no seriado musical “Nashville”.
A atriz também construiu uma ligação duradoura com a franquia de terror “Pânico”, interpretando Kirby Reed a partir de “Pânico 4” (2011). O vínculo com a personagem era tão forte entre os fãs que ela retornou à saga em “Pânico VI”, já em 2023, marcando também seu retorno a um grande projeto após um período em que sua vida pessoal ocupou mais manchetes do que sua carreira artística.
Seu trabalho mais recente foi no thriller psicológico “Sleepwalker”, que chegou aos cinemas americanos em janeiro de 2026, no qual deu vida a uma mãe enlutada que sofre episódios de sonambulismo.
A perda do irmão e o enfrentamento de vícios
Em fevereiro de 2023, a atriz viveu um dos momentos mais duros de sua vida com a morte de seu irmão caçula, o ator Jansen Panettiere, então com 28 anos, decorrente de complicações cardíacas ligadas a um problema na válvula aórtica. A dor dessa perda apareceria mais tarde em páginas marcantes da autobiografia que ela lançaria três anos depois, “This Is Me: A Reckoning”, publicada em maio de 2026. A atriz chegou a comentar que gravar os trechos sobre o irmão para a versão em áudio do livro foi particularmente difícil, e que discordava da ideia de que o tempo, por si só, seria capaz de curar uma dor daquela magnitude.
Já em 2022, Panettiere havia se aberto sobre um período sombrio de sua vida em entrevista à revista People, no qual relatou ter enfrentado dependência de álcool e outras substâncias, chegando perto de colocar a própria vida em risco. Ela descreveu ter atravessado simultaneamente um quadro de depressão pós-parto e um agravamento do vício, período em que buscou ajuda profissional, mas viu a dependência do álcool se intensificar. Segundo suas palavras à época, sentia como se sua existência tivesse perdido as cores.
A atriz também relatou que, apesar de garantir não ter consumido álcool durante a gravidez, chegou a evitar passar tempo com a própria filha logo após o nascimento, não por desejar algum mal à criança, mas em razão do estado emocional em que se encontrava.
Panettiere ainda revelou, na mesma entrevista, um episódio de sua adolescência: aos 15 anos, um integrante de sua equipe de trabalho passou a lhe oferecer o que chamava de “pílulas da felicidade” antes de aparições em tapetes vermelhos, supostamente para deixá-la mais disposta durante entrevistas. Segundo ela, na época não tinha noção de que aquilo era inadequado, tampouco de que se tratava do início de sua relação com o vício.
Mais recentemente, a atriz havia passado por internação e tratamento voltado ao enfrentamento de traumas, num processo que ela descreveu como um esforço contínuo de honestidade consigo mesma.