Menu
Literatura

Atenção leitores: A Bienal de Brasília está de volta

Começa nesta segunda-feira, a sexta edição da Bienal Internacional do Livro de Brasília. O evento gratuito retorna, após quatro anos de hiatus

Amanda Karolyne

17/08/2026 5h00

Atualizada 16/08/2026 18h15

ba64de3b d46f 40cc b489 c4e9a5b2ac4f

Foto: Divulgação

“Ler o Amanhã” é o tema da 6ª edição da Bienal Internacional do Livro de Brasília (BiLB), que começa nesta segunda-feira (17) e vai até domingo (23), no Museu Nacional da República. O evento literário voltou ao calendário da capital após quatro anos e tem nomes de peso na programação, como Djamila Ribeiro, Leonardo Boff, Gabriel O Pensador e Criolo. Mas o foco deste ano é a cadeia criativa do DF, com artistas, escritores, ilustradores, músicos e representantes da produção cultural regional. Com entrada gratuita, a expectativa é que cerca de 30 mil pessoas visitem a estrutura.

Ao Jornal de Brasília, Stella Domenico, presidente do Instituto Eleva — organização responsável pelo evento, afirmou que a expectativa é muito grande para a realização da Bienal Internacional de Brasília. “Estamos falando da retomada de um dos principais eventos literários de Brasília depois de quatro anos, então existe um sentimento muito forte de reencontro.” Para ela, mais do que realizar uma nova edição, o objetivo deste ano é reposicionar a Bienal no calendário cultural e literário da cidade e do país, fazendo com que ela volte a acontecer de forma contínua e cada vez mais forte.

4d70d597 5ee0 476d af1f 330411383762
Foto: Divulgação

Stella considera que Brasília tem um público leitor, uma produção literária muito rica e uma localização estratégica, que permite esse encontro entre o Distrito Federal, o Centro-Oeste e diferentes regiões do Brasil. Isso se sustenta com os dados do Retratos da Leitura no Brasil (Instituto Pró-Livro, 2024), pesquisa que apontou o Centro-Oeste como a única região brasileira a registrar crescimento no índice de leitores nos últimos anos.

Logo, a capital pode ser um grande polo de promoção da literatura, da educação e da produção cultural. Com a Bienal, além de estimular o hábito da leitura, o cenário da cadeia produtiva livreira pode ser fortalecido, com fomento à economia criativa, incentivo a novos autores e ampliação do acesso da população às mais diversas manifestações culturais. “Esperamos que esta edição marque justamente o início desse novo ciclo.”

Ela faz questão de ressaltar que uma bienal não é apenas uma feira de livros, mas sim um espaço de encontro de toda a cadeia do livro e, principalmente, de formação de leitores. Para Stella, realizar esse evento em Brasília tem um significado especial por ser a capital do país — uma cidade que reúne pessoas de todas as regiões brasileiras e que tem uma produção cultural e literária muito diversa. “Queremos que a Bienal reflita essa pluralidade e seja também um ponto de encontro da literatura brasileira”, disse. 

968fea32 f60f 4952 bcb4 e3337f16c71d
Foto: Divulgação

Em cinco edições, o evento já reuniu em Brasília mais de 1,5 milhão de visitantes, 800 escritores convidados, 680 lançamentos de livros e representantes de mais de 60 países. Além disso, as edições anteriores renderam uma movimentação econômica superior a R$ 18,6 milhões, o que é muito significativo para a cadeia produtiva.

A presidente explicou que o tema foi definido como “Ler o Amanhã” pelo fato de a leitura ser uma das ferramentas mais importantes para a imaginação e a construção do futuro. “É um convite para olharmos para as transformações que já estão acontecendo e para aquelas que queremos provocar.” Ela apontou que o livro atravessa todas essas discussões, reforçando que a leitura permite conhecer outras realidades, questionar o presente e imaginar novas possibilidades. 

Com o retorno da Bienal de Brasília, Stella acredita que a ideia é fortalecer a identidade própria do evento, sem fazer uma simples reprodução de eventos consolidados como a Bienal de São Paulo. “Somos a capital do país, estamos no coração do Brasil e temos a possibilidade de fazer da Bienal um grande ponto de encontro entre o Centro-Oeste e as demais regiões brasileiras”, afirmou. 

Com o objetivo de que esta Bienal seja um dos grandes encontros literários do Brasil, Stella acredita que o principal diferencial desta edição é justamente a proposta de construir um evento muito plural, conectando literatura, música, cultura, educação, tecnologia e diferentes linguagens. “Teremos grandes nomes nacionais, mas também uma atenção especial à produção literária local e regional, inclusive com cinco curadores ligados ao movimento cultural do DF e da região, responsáveis por selecionar autores para integrar as mesas da programação”, ressaltou.

Na programação completa, que poderá ser conferida nas redes sociais e site do evento, estão previstos lançamentos de livros, espaços para crianças e jovens, quadrinhos, música, debates, atividades culturais e uma presença muito importante das escolas públicas, com a previsão de receber milhares de estudantes ao longo dos sete dias de evento. 

A palavra e a música de Criolo 

Um dos grandes nomes desta edição é o MC, cantor e compositor Criolo. Além de apresentar uma performance que passeia por sua diversidade sonora, o músico participará de um talk show especial para compartilhar sua trajetória, referências e experiências de carreira. Ao Jornal de Brasília, o artista destacou a forte conexão entre suas duas artes: “A literatura e a música estão sempre juntas. A literatura ajuda a pensar a estrutura, o alicerce de um prédio — como organizar a palavra e o ritmo. A música é o corpo, o que a gente faz com essa estrutura. A palavra traz cor, a literatura constrói o corpo e a música traz temperatura.”

Ele conta que vem de uma família em que todos são apaixonados pela palavra. “Minha mãe é uma fiel escudeira e protetora da palavra”, disse. A caminhada da mãe, a ativista cultural, escritora e educadora Maria Vilani Cavalcante Gomes, começou no Ceará rumo a São Paulo, só com as roupas do corpo, mas munida dos poucos livros que tinha até então. “Para nós, a palavra é tudo. Eu, que venho do rap, a palavra é tudo. Então, a gente está nesse caminho e não tem volta não.”

Animado com o convite para fazer parte da lista de nomes da Bienal, ele comentou sobre o tema da edição, “Ler o Amanhã”: “Eu acho que a gente já faz um tantão de coisas pensando no futuro da leitura no Brasil. A gente faz um tantão de coisa quando a gente reconhece no outro o seu valor. Antes de falar do livro, a gente fala da pessoa.” Para ele, através da percepção do outro, existe a vontade de registrar a história da própria vida e a dos seus.

Ele acredita que, a partir da oralidade de mãe para filho, de avó para neta, de tia para sobrinha, constrói-se uma narrativa que pode ser documentada por toda a eternidade. “Então, quando a gente valoriza o outro, a gente está perpetuando a importância de cada ser nesse planetinha nosso”, finalizou. Por isso, ele acredita ser importante pensar a leitura e o futuro.

Saiba mais

Serão sete dias de evento, divididos em sete eixos principais:

  • Autores: debates, palestras e seminários;
  • Criança: espetáculos e contação de histórias para o público infantojuvenil;
  • Música: shows de artistas nacionais e locais;
  • HQ: histórias em quadrinhos, ilustrações e novas linguagens narrativas;
  • Mercado: estandes de editoras, livrarias e distribuidoras da cadeia livreira;
  • Multimeios: personalidades da internet, atividades interativas e novas mídias;
  • Conexão Geek: interação por meio da literatura, games, mangás e cultura pop.

Serviço
6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília (BiLB)
Data:
17 a 23 de agosto
Local: Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios)
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
Mais informações e programação completa: @bienaldolivrodebrasilia / bienaldolivrodebrasilia.com.br

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado