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Imóvel é inacessível para família com renda de até R$ 2 mil, admite secretário de habitação

A fala foi feita em uma live promovida pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) nesta quarta-feira (6)

Por FolhaPress 06/10/2021 9h03

Ana Luiza Tieghi
SÃO PAULO, SP

O secretário Nacional de Habitação, Alfredo Santos, admitiu que, hoje, uma família que ganha até R$ 2.000 não consegue comprar um imóvel no país. A fala foi feita em uma live promovida pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) nesta quarta-feira (6). Santos respondeu à afirmação de um espectador de que famílias nessa faixa de renda não conseguem acessar a casa própria, já que o valor de entrada acaba sendo um obstáculo intransponível.

O secretário comentou que isso é verdade, e acrescentou que o desempenho do grupo 1 do programa habitacional Casa Verde e Amarela, que contempla famílias que recebam até R$ 2.000, “vem perdendo dinâmica”. Segundo ele, há uma grande preocupação com a capacidade de pagamento dessas famílias, que geram um volume de inadimplência superior ao nível que o programa prevê.

“Temos que viabilizar a volta dessas famílias à contratação do financiamento, mas de forma condizente à sua capacidade de pagamento, para que no futuro próximo a gente não tenha o programa como um todo prejudicado pela inadimplência delas”, afirmou.

O secretário afirmou que ainda nesta semana deve ser publicada a instrução normativa que aumenta o subsídios concedidos à essa faixa de renda -hoje em até R$ 47.500- e que está articulando uma iniciativa que permita aos estados e municípios arcarem com pelo menos 20% do financiamento imobiliário para famílias de baixa renda, o que corresponde ao valor de entrada.

A iniciativa, que será um subprograma do Casa Verde e Amarela e terá o nome de Parcerias, foi divulgada em setembro pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. “Se desonerar a entrada, considerando a ampliação do subsídio que estamos concedendo, entendemos que as famílias entrarão [no programa] com o endividamento adequado à sua capacidade de pagamento, melhorando a entrada dessas famílias e, no longo prazo, diminuindo o risco para os agentes financeiros”, disse.

Eduarda Tolentino, presidente da incorporadora focada no segmento econômico BRZ, que participava da live, disse que a iniciativa traz otimismo ao setor. Segundo ela, os consumidores com renda de até R$ 2.500, que eram público da empresa, deixaram de ser atendidos pela companhia em 2021, por causa do cenário econômico e da necessidade da construtora de adequar o preço de venda do imóvel.

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