DOUGLAS GAVRAS
FOLHAPRESS
“É meu primeiro emprego e está terminando dessa forma trágica”, relata a atendente Vivian Ruedas, 23. “Não imaginava que ia ser assim.”
Ela é uma entre centenas de trabalhadores que têm protestado todos os dias ao longo desta semana em frente à sede do Ministério do Trabalho, Emprego e Seguridade Social, em Assunção, capital do Paraguai.
“Peña, cadê o nosso dinheiro?”, gritavam os manifestantes no início da tarde desta sexta-feira (6), enquanto a 1,5 km dali o Congresso do Paraguai decidia negar o pedido de defesa do presidente Santiago Peña e retomava o processo de impeachment do líder conservador.
O governo paraguaio, alvejado pela crise do Ueno Bank, prometeu medidas para garantir os direitos trabalhistas dos funcionários do banco e de empresas terceirizadas vinculadas ao grupo.
Os manifestantes, ligados a empresas como Kaitel, Itti e Wepa, denunciaram a falta de informações e cobraram que as medidas anunciadas contemplassem todos os trabalhadores, e não apenas os funcionários diretos do Ueno.
“Ficamos sem dinheiro e sem trabalho; somos mais de 5.000 famílias em situação de incerteza, e nos dão respostas vagas”, reclamou aos jornalistas Eliana Santander, porta-voz do grupo.
Os trabalhadores também questionaram o modelo de terceirização, alegando que as empresas prestavam serviços exclusivamente à instituição financeira, mas seus funcionários não tinham acesso às mesmas garantias trabalhistas do setor bancário.
O ministério prometeu verificar o encerramento efetivo das atividades e a documentação apresentada pelos empregadores.
A orientação é que os trabalhadores não assinem pedidos de demissão nem abram mão de seus direitos.
O ministério realizará atendimentos para registrar os dados dos trabalhadores e cruzá-los com os registros oficiais.
O pagamento das verbas rescisórias seguirá procedimentos diferentes, conforme a entidade previdenciária à qual cada trabalhador está vinculado, sob supervisão do Banco Central do Paraguai.
Parte dos 490 funcionários diretos do Ueno Bank e de empresas vinculadas deverá receber os valores na próxima semana. Os recursos virão dos fundos da liquidação do banco, administrados pelo banco central do país.
Funcionários e terceirizados do Ueno Bank cobram do governo paraguaio garantias trabalhistas após escândalo
Governo paraguaio prometeu medidas para garantir os direitos trabalhistas dos funcionários do banco e de empresas terceirizadas vinculadas ao grupo
Foto: Divulgação/ Ueno Bank