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Economia

Fitch põe nota da França em perspectiva negativa

Arquivo Geral

16/12/2011 18h28

A agência de classificação de risco Fitch anunciou nesta sexta-feira (16) o rebaixamento de perspectiva da nota da França de estável para negativa – embora mantenha a máxima “AAA” -, devido ao previsível aumento da dívida e dos riscos da crise na zona do euro.

A Fitch indica em comunicado que a mudança a perspectiva negativa significa que as possibilidades de a França perder o chamado “triplo A” são “ligeiramente superiores a 50%” num prazo de dois anos, e há três elementos que podem desencadear esse descalabro.

O primeiro é uma intensificação da crise da zona do euro; o segundo é o descumprimento das metas financeiros fixadas pelo governo francês – sobretudo o de estabilização da dívida pública -; e o terceiro é um crescimento econômico mais fraco que o esperado.

O comunicado destaca que os compromissos dos líderes na cúpula europeia dos dias 9 e 10 de dezembro e do Banco Central Europeu (BCE) não são suficientes para impedir com certeza os impactos da crise financeira.

“À revelia de uma solução completa, a crise da zona do euro persistirá e pode ser marcada por episódios de severa volatilidade do mercado financeiro”, acrescenta a agência.

A Fitch ressaltou que, entre os países que ainda conservam o triplo A na zona do euro, a França é “o mais exposto a uma maior intensificação da crise” porque seu déficit fiscal é mais elevado e igualmente sua dívida.

De fato, ela assinalou que, de acordo com suas projeções, a dívida pública francesa chegará a um pico em torno de 92% de seu Produto Interno Bruto (PIB), um nível “significativamente superior” aos outros países do euro que mantêm a máxima qualificação.

É verdade, reconhece a agência, que essa porcentagem não será superior ao estimado para outros dois países que igualmente mantêm essa nota – Estados Unidos e Reino Unido -, mas no caso de ambos, não correm o mesmo risco de uma intensificação da situação na zona do euro.

Embora as autoridades francesas tenham adotado medidas para enfrentar a crise fiscal, a Fitch considera que faz falta “um calendário de reforma estrutural mais radical” para oferecer maior confiança.

Após saber sobre a decisão da agência, o ministro da Economia da França, François Baroin, indicou que o país mantém sua “determinação a serviço do crescimento, da competitividade, do emprego e da redução do déficit público”.

Ele lembrou, em comunicado, que o governo adotou medidas para reforçar a credibilidade do esforço de consolidação orçamentária, que se traduziram em caminhos planos de ajuste no final de agosto e início de novembro.

“A França apresenta um nível de obrigações entre os menos elevados dos países com triplo A, em particular graças à reforma da previdência de 2010”, acrescentou o ministro da Economia, insistindo que a política econômica do Executivo “se inscreve em um marco e em um método a longo prazo”.

A advertência da Fitch desta sexta-feira foi a terceira feita sobre perspectiva negativa à França entre as três grandes agências de classificação de risco. A Moody’s já havia feito o mesmo em outubro e a Standard and Poor’s, em novembro.

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