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Economia

Eficácia da taxação da rentabilidade da poupança divide economistas

Arquivo Geral

13/05/2009 0h00

As mudanças anunciadas hoje (13) pelo governo para a caderneta de poupança têm o objetivo de forçar as pessoas a manter as aplicações em fundos de investimento em 2010. A afirmação é do economista Reinaldo Gonçalves, try do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


O economista ressalta, no entanto, que o governo lucraria mais se obrigasse os bancos a reduzir as taxas de administração. “Aí ninguém sairia da poupança para outras aplicações, nem ninguém sairia dos fundos para a poupança.”


O governo decidiu taxar a rentabilidade das cadernetas de poupança com saldo superior a R$ 50 mil a partir do próximo ano. A medida, contudo, só deverá entrar em vigor se a taxa básica de juros (Selic) ficar abaixo de 10,5% ao ano. Hoje, ela está em 10,25%/ano.


Reinaldo Gonçalves acredita que haverá migração de poupadores com saldo acima de R$ 50 mil de volta para os fundos. “Se os bancos reduzissem suas absurdas taxas de administração, ninguém sairia dos fundos e iria para a poupança. O problema é aquele negócio de jogar o bebê fora junto com a água suja. É incompetência do governo”, disse o economista, em entrevista à Agência Brasil.


Segundo Gonçalves, o governo não tem coragem de “peitar” os bancos. “E aí fica fazendo esses malabarismos aritméticos, que só complicam”. A mobilidade de aplicadores dos fundos para a caderneta resulta do “cartel” dos bancos, afirmou.


O supervisor técnico do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Rio de Janeiro, Paulo Jager, destaca que a taxação do ganho da poupança acima de R$ 50 mil exclui a maioria dos poupadores brasileiros.


“A maioria das pessoas tem uma poupança pequenininha. A família brasileira é pobre. E poupa porque a poupança é muito importante, como conceito. Mas, em geral, a poupança é pequena. Quem poupa em um volume desses [R$ 50 mil] é uma ínfima parcela da população”.


Jager ressalta que apenas 70% da população ocupada têm renda do trabalho até dois salários mínimos. Para ele, não se pode afirmar que haverá migração da poupança para os fundos, devido à taxação, porque os dois principais ingredientes que um grande aplicador considera são a rentabilidade e o risco. E a principal diferença é que a poupança é garantida pelo governo.


“O que o governo está tentando fazer é evitar grandes migrações de um lado e de outro. Nem dos fundos em direção à poupança, nem da poupança em direção aos fundos”, enfatiza o economista. Além disso, destaca Jager, os recursos da caderneta são a base do financiamento habitacional. E interessa ao governo que a poupança tenha muitos aplicadores, para que haja recursos em volume suficiente para financiar a construção da casa própria, diz o economista.

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