FOLHAPRESS
O dólar está em alta nesta quarta-feira (1º), seguindo o movimento no exterior, em meio a apostas de juros mais altos nos Estados Unidos.
Kevin Warsh, o novo presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), afirmou em painel internacional que manterá sua postura de não sinalizar os próximos movimentos de política monetária de antemão, mas reforçou que a autoridade se manterá combativa à inflação.
O mercado ainda avalia dados de emprego dos EUA, medidos pelo relatório ADP, para balizar as expectativas sobre os juros americanos.
Às 12h55, a moeda tinha alta de 0,7%, cotada a R$ 5,199. Já a Bolsa tinha queda de 0,11%, a 171.828 pontos, desacelerando as perdas em relação à abertura, quando marcou recuo de mais de 1%.
Durante o fórum anual de política monetária do BC (Banco Central Europeu) em Sintra, Portugal, Warsh afirmou que os dirigentes do Fed decidirão se vão aumentar as taxas de juros quando “fecharem a porta” e derem início à sua próxima reunião.
“Entramos naquela sala e fechamos a porta; teremos um bom debate, mas não tenho muito mais a dizer do que isso”, disse. “Não vou dar orientações prospectivas.”
Ele se limitou a dizer que aos riscos à inflação diminuíram. “Se houver pessoas entre as famílias, no setor empresarial ou nos mercados financeiros que pensaram que este banco central ficaria à vontade com uma meta de inflação acima de 2% bem, acho que ficarão decepcionadas: vamos garantir a estabilidade de preços nos EUA.”
Esta foi a primeira aparição de Warsh fora da reunião de política monetária do Fed, em junho. Ele discutiu sua abordagem como chair em um palco ao lado da presidente do BCE, Christine Lagarde, do presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, e do presidente do Banco do Canadá, Tiff Macklem.
Investidores voltaram a apostar na alta de juros do Fed após a reunião passada. Ainda que os juros tenham sido mantidos na faixa de 3,5% e 3,75% ao ano, como amplamente esperado, o mercado interpretou a comunicação dos dirigentes e as expectativas deles para o próximo semestre como “hawkish”, isto é, agressiva no combate à inflação.
No comunicado sobre a decisão, o Fed voltou a defender que pretende “garantir a estabilidade de preços” e “manter reservas amplas no sistema bancário”. O comitê alertou para o momento de “elevada incerteza” causada “em parte pelo conflito no Oriente Médio”.
Soma-se a isso o relatório de emprego ADP, divulgado nesta manhã. Foram criados 98 mil postos de trabalho no setor privado dos EUA em junho, abaixo dos 118 mil esperados. O dado menor que a expectativa é uma boa notícia: com um mercado de trabalho menos aquecido, o consumo dos americanos tende a diminuir, reduzindo a pressão potencial sobre a inflação.
Mas a notícia não foi o suficiente para reverter o diagnóstico dos investidores. O relatório da ADP é publicado antes do payroll de junho, que será divulgado nesta quinta-feira (2) e é o mais importante para monitorar o mercado de trabalho dos EUA. O indicador da ADP tem se mostrado pouco preciso para estimar o número de empregos no setor privado norte-americano.
Por ora, prevalece o cenário-base anterior. “A combinação de um mercado de trabalho apertado e uma inflação resiliente alterou drasticamente as projeções, que agora mostram forte expectativa de novo aumento de juros pelo Fed”, diz Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad.
Ela explica que, quando há a expectativa de alta nos Fed Funds, os títulos públicos dos EUA (treasuries), considerados um porto seguro do sistema financeiro global, passam a oferecer rendimentos maiores.
“Isso afeta negativamente os mercados emergentes, pois a expectativa de juros mais altos pelo Fed reduz drasticamente a entrada de fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira. Os grandes fundos internacionais preferem retirar seu capital de ativos de risco, como as ações do Ibovespa, e alocá-los na segurança e na rentabilidade garantida da renda fixa americana, o que explica a disparada do dólar frente ao real e a redução de liquidez no nosso mercado acionário.”
Segundo dados da ferramenta CME Fed Watch, 60% dos operadores esperam que o Fed suba a taxa no encontro de setembro. O dólar, em resposta, se valoriza globalmente, com o índice DXY, que o compara a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,11%, a 101,28 pontos.
Já o rendimento da treasury de 10 anos referência global de investimento subia 1%, puxando a curva de juros futuros brasileira para cima.
A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,05%, em alta de 0,07 ponto percentual ante a sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,255%, com elevação de 0,08 ponto.
O movimento também reflete a nova pesquisa eleitoral no Brasil. O levantamento Atlas/Bloomberg mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
De modo geral, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação, forçando a manutenção da Selic em patamares elevados.
Apesar dos receios, nas últimas semanas os investidores seguem se posicionando para um novo corte da taxa.
Ainda, o governo Donald Trump anunciou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa acusados de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
O governo de Donald Trump disse também que considera a facção paulista a maior organização criminosa do Ocidente.
Dólar tem alta firme e volta a R$ 5,20 com apostas de juros mais altos nos EUA; Bolsa cai
Às 12h55, a moeda tinha alta de 0,7%, cotada a R$ 5,199. Já a Bolsa tinha queda de 0,11%, a 171.828 pontos
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